Informatização dos processos de produção de O IMPARCIAL, a partir da década de 90, causou impacto maior do que as inovações dos mais de 60 anos anteriores.
Nada seria de um bom jornal se ele não acompanhasse as novas tecnologias. É por essas, e outras, que O IMPARCIAL atualiza-se a cada novo invento, tornando o fazer jornalístico mais dinâmico e com qualidade. Um exemplo disso é o parque gráfico do jornal, o mais moderno do estado. Mas nem sempre foi assim: até a década de 90, não houve grandes mudanças na forma de fazer o jornal. As impressões passaram décadas entre as prensas a quente, a frio, a impressão por linotipo e o papel fotográfico, até alcançar os sistemas digitais, com a chegada das plataformas atuais para computadores, início da década de 90.
A partir daí, as novidades não pararam de chegar. Quase anualmente há atualizações das tecnologias existentes. E o jornal sempre vem acompanhando-as. Hoje O IMPARCIAL dispõe de impressão com torre gráfica, única dentre os parques gráficos dos jornais do estado, ajuste automático dos cilindros de cor, sistema de pré-impressão, e o sistema Computer to Plater (CTP), um dos métodos mais atuais de impressão de grande porte.
“Antes, há décadas atrás, você pegava um papel, montava o jornal no próprio papel, com a diagramação. Depois batia uma foto, e criava a chamada “matriz”. Mandava essa matriz para transformar-se em filme fotolito, que era mandado pra impressão, colocado na chapa e botado na máquina rotativa”, contou o superintendente de tecnologia dos jornais O IMPARCIAL, Aqui-MA, e O Imparcial Online. Na evolução desse modelo, o filme fotolito já passou a ir direto para as chapas. Até o advento do computador, e dos programas de diagramação que são até hoje usados. Neles, você faz a programação diretamente na página no computador. Mas ainda continuava-se a mandar a página para fazer o filme, e mandar para a chapa, que imprimia na gráfica, em um sistema chamado Computer to Film (CTF), que não é mais utilizado.
O jornal utiliza o sistema CTP, onde a página é enviada para a chapa. Já existem tecnologias onde a página é enviada diretamente para o cilindro de cor, que controla a impressão, e em breve será instalada no parque gráfico. Além disso, mais torres de cores devem ser instaladas, para ter uma possibilidade maior de imprimir páginas coloridas, com tons mais fortes e o mais próximo possível do real. “Isso é a tecnologia do mundo do jornal, e o jornal acompanha essa tecnologia. Estamos no mesmo patamar de modernidade que os grandes jornais das regiões sudeste”.
A evolução pode ser percebida na questão fotográfica. Antes fazia-se a foto com a máquina antiga, de forma monocromática, porque ainda não possuía impressões coloridas. Era revelado e colocado na chapa para ser impresso. Era utilizado ainda um papel para a revelação, antes de ser colocado na chapa, o que gerava um custo a mais para a empresa. Passou-se a utilizar scanners (leitores) de negativos, que liam o negativo da fotografia e já a colocava na página, sem precisar de revelações. Vieram no mercado as máquinas Polaróides, que imprimiam automaticamente após bater a foto, até a chegada das câmeras digitais, que podem enviar a imagem direto para o computador, e assim direto para a página. O jornal utiliza esse sistema atualmente: todas as imagens utilizadas no impresso e nos outros meios de comunicação são totalmente digitalizadas desde o momento do clique, arquivadas em um banco de dados computadorizado, utilizando equipamentos de última geração para a melhor qualidade de imagem.
Entre os fotógrafos mais conservadores, ainda há a discussão sobre a câmera digital: alguns acreditam que a nova tecnologia fotográfica nunca será comparável às antigas formas de bater uma foto, usando o negativo e a revelação. Através de câmeras de alto poder de alcance de luz e distância, somados à alta qualidade de impressão, é possível observar que a nova tecnologia só veio a acrescentar para os profissionais, e para o leitor. “É como quem utilizada a máquina de escrever.
Quem usava, achava que nunca ia conseguir largá-la e trocá-la para o computador. Quem escrevia nela todo dia, dizia que não tinha como sair pra usar um computador, uma forma digital. No princípio, era muito difícil usar as máquinas digitais, porque faziamse poucas fotos e já estava completa a capacidade do aparelho. Agora, com a evolução da tecnologia, as máquinas digitais já ultrapassaram e muito as antigas câmeras em qualidade”, disse Celio Sergio.
Obsoletas
Para Célio, o avanço das tecnologias é tão rápido, que novas invenções já ficaram obsoletas em pouco tempo. Citou o exemplo do zipdrive, um tipo maior de disquete que armazenava uma determinada quantidade de fotos, e é considerado o pai do atual pendrive. Em poucos anos, o zipdrive sumiu das prateleiras para dar lugar ao filho. O mesmo serviu para o sistema de comunicação entre as agências de notícias e os jornais: antes, eram repassadas através do velho telex, um sistema internacional de comunicações que perdurou até o fim do século XX. As notícias eram repassadas curtas, e eram impressas em um aparelho semelhante ao fax. Depois chegou às redações as parabólicas direcionadas para cada agência. “Quem queria receber notícias de uma determinada agência, tinha que ter o computador específico da agência, uma antena parabólica da agência, e aquele computador só tinha acesso a essa rede. A coisa evoluiu para a internet”.
No princípio da utilização da internet, tinha-se receio por conta da possibilidade de invasão por hackers, por vírus e outras malignidades. Em pouco tempo, perceberam as bonanças da utilização da internet. Hoje o jornal conta com um produto específico para a rede mundial, O Imparcial Online, dando independência ao que é publicado na rede, além da versão virtual folheável do jornal impresso. A redação do jornal conta com mais de cinqüenta computadores com acesso à internet e acesso também a uma rede interna, equipados com os programas utilizados por cada setor. Os computadores mais modernos e potentes, pertencentes à editoração, têm os softwares de diagramação atualizados periodicamente, para que novos recursos gráficos sejam utilizados na impressão.
Célio completou que os avanços não param por aí. “No futuro, quem sabe o papel acabe. Fala-se muito na leitura virtual. Com a chegada de ebooks, os livros digitais, e novos aparelhos para leitura virtual, talvez daqui há uns anos o assinante receba o jornal em seu e-book, e o folhei da forma como entender, seja vertical, horizontal ou de outra forma. Todo dia quando você acordar, é só ligar o aparelho que receberá uma edição nova. E quem sabe, multimídia”.


“O IMPARCIAL sempre foi um jornal de muito prestígio na cidade”. A afirmação poderia soar lisonjeira, viesse do fundador, presidente ou mesmo de um apaixonado jornalista da equipe do referido matutino. No entanto, tal reconhecimento parte do hoje presidente do Senado Federal, o maranhense José Sarney de Araújo Costa, sumidade política (ex-presidente da República, senador, deputado federal, deputado estadual e governador do Maranhão), advogado, escritor e jornalista. Este último posto, despertado na redação de O IMPARCIAL, onde iniciou sua história na imprensa maranhense. E começou na editoria de Polícia, onde poucos querem se aventurar e outros renegam.
Sumidade na literatura nacional, o escritor e roteirista José de Jesus Louzeiro, é outro maranhense notório que também figurou em O IMPARCIAL. Antes de passar pelos grandes jornais do eixo Rio-São Paulo como a Folha de S.Paulo, Correio da Manhã e Diário Carioca, fez sua base no matutino maranhense na função de auxiliar de revisor, em 1948, aos 16 anos. Por três anos circulou pelo impresso e chegou a trabalhar no Globo Pacotilha, similar ao jornal Aqui-MA, mais recente mídia que se somou à empresa.
Casarão onde o jornal funcionou é restaurado como patrimônio arquitetônico da cidade