Informatização dos processos de produção de O IMPARCIAL, a partir da década de 90, causou impacto maior do que as inovações dos mais de 60 anos anteriores.

Nada seria de um bom jornal se ele não acompanhasse as novas tecnologias. É por essas, e outras, que O IMPARCIAL atualiza-se a cada novo invento, tornando o fazer jornalístico mais dinâmico e com qualidade. Um exemplo disso é o parque gráfico do jornal, o mais moderno do estado. Mas nem sempre foi assim: até a década de 90, não houve grandes mudanças na forma de fazer o jornal. As impressões passaram décadas entre as prensas a quente, a frio, a impressão por linotipo e o papel fotográfico, até alcançar os sistemas digitais, com a chegada das plataformas atuais para computadores, início da década de 90.

A partir daí, as novidades não pararam de chegar. Quase anualmente há atualizações das tecnologias existentes. E o jornal sempre vem acompanhando-as. Hoje O IMPARCIAL dispõe de impressão com torre gráfica, única dentre os parques gráficos dos jornais do estado, ajuste automático dos cilindros de cor, sistema de pré-impressão, e o sistema Computer to Plater (CTP), um dos métodos mais atuais de impressão de grande porte.

“Antes, há décadas atrás, você pegava um papel, montava o jornal no próprio papel, com a diagramação. Depois batia uma foto, e criava a chamada “matriz”. Mandava essa matriz para transformar-se em filme fotolito, que era mandado pra impressão, colocado na chapa e botado na máquina rotativa”, contou o superintendente de tecnologia dos jornais O IMPARCIAL, Aqui-MA, e O Imparcial Online. Na evolução desse modelo, o filme fotolito já passou a ir direto para as chapas. Até o advento do computador, e dos programas de diagramação que são até hoje usados. Neles, você faz a programação diretamente na página no computador. Mas ainda continuava-se a mandar a página para fazer o filme, e mandar para a chapa, que imprimia na gráfica, em um sistema chamado Computer to Film (CTF), que não é mais utilizado.

O jornal utiliza o sistema CTP, onde a página é enviada para a chapa. Já existem tecnologias onde a página é enviada diretamente para o cilindro de cor, que controla a impressão, e em breve será instalada no parque gráfico. Além disso, mais torres de cores devem ser instaladas, para ter uma possibilidade maior de imprimir páginas coloridas, com tons mais fortes e o mais próximo possível do real. “Isso é a tecnologia do mundo do jornal, e o jornal acompanha essa tecnologia. Estamos no mesmo patamar de modernidade que os grandes jornais das regiões sudeste”.

A evolução pode ser percebida na questão fotográfica. Antes fazia-se a foto com a máquina antiga, de forma monocromática, porque ainda não possuía impressões coloridas. Era revelado e colocado na chapa para ser impresso. Era utilizado ainda um papel para a revelação, antes de ser colocado na chapa, o que gerava um custo a mais para a empresa. Passou-se a utilizar scanners (leitores) de negativos, que liam o negativo da fotografia e já a colocava na página, sem precisar de revelações. Vieram no mercado as máquinas Polaróides, que imprimiam automaticamente após bater a foto, até a chegada das câmeras digitais, que podem enviar a imagem direto para o computador, e assim direto para a página. O jornal utiliza esse sistema atualmente: todas as imagens utilizadas no impresso e nos outros meios de comunicação são totalmente digitalizadas desde o momento do clique, arquivadas em um banco de dados computadorizado, utilizando equipamentos de última geração para a melhor qualidade de imagem.

Entre os fotógrafos mais conservadores, ainda há a discussão sobre a câmera digital: alguns acreditam que a nova tecnologia fotográfica nunca será comparável às antigas formas de bater uma foto, usando o negativo e a revelação. Através de câmeras de alto poder de alcance de luz e distância, somados à alta qualidade de impressão, é possível observar que a nova tecnologia só veio a acrescentar para os profissionais, e para o leitor. “É como quem utilizada a máquina de escrever.

Quem usava, achava que nunca ia conseguir largá-la e trocá-la para o computador. Quem escrevia nela todo dia, dizia que não tinha como sair pra usar um computador, uma forma digital. No princípio, era muito difícil usar as máquinas digitais, porque faziamse poucas fotos e já estava completa a capacidade do aparelho. Agora, com a evolução da tecnologia, as máquinas digitais já ultrapassaram e muito as antigas câmeras em qualidade”, disse Celio Sergio.

Obsoletas

Para Célio, o avanço das tecnologias é tão rápido, que novas invenções já ficaram obsoletas em pouco tempo. Citou o exemplo do zipdrive, um tipo maior de disquete que armazenava uma determinada quantidade de fotos, e é considerado o pai do atual pendrive. Em poucos anos, o zipdrive sumiu das prateleiras para dar lugar ao filho. O mesmo serviu para o sistema de comunicação entre as agências de notícias e os jornais: antes, eram repassadas através do velho telex, um sistema internacional de comunicações que perdurou até o fim do século XX.  As notícias eram repassadas curtas, e eram impressas em um aparelho semelhante ao fax. Depois chegou às redações as parabólicas direcionadas para cada agência. “Quem queria receber notícias de uma determinada agência, tinha que ter o computador específico da agência, uma antena parabólica da agência, e aquele computador só tinha acesso a essa rede. A coisa evoluiu para a internet”.

No princípio da utilização da internet, tinha-se receio por conta da possibilidade de invasão por hackers, por vírus e outras malignidades. Em pouco tempo, perceberam as bonanças da utilização da internet. Hoje o jornal conta com um produto específico para a rede mundial, O Imparcial Online, dando independência ao que é publicado na rede, além da versão virtual folheável do jornal impresso. A redação do jornal conta com mais de cinqüenta computadores com acesso à internet e acesso também a uma rede interna, equipados com os programas utilizados por cada setor. Os computadores mais modernos e potentes, pertencentes à editoração, têm os softwares de diagramação atualizados periodicamente, para que novos recursos gráficos sejam utilizados na impressão.

Célio completou que os avanços não param por aí. “No futuro, quem sabe o papel acabe. Fala-se muito na leitura virtual. Com a chegada de ebooks, os livros digitais, e novos aparelhos para leitura virtual, talvez daqui há uns anos o assinante receba o jornal em seu e-book, e o folhei da forma como entender, seja vertical, horizontal ou de outra forma. Todo dia quando você acordar, é só ligar o aparelho que receberá uma edição nova. E quem sabe, multimídia”.

Ainda que muitos leitores não saibam, O IMPARCIAL pertence ao grande grupo de veículos de comunicação por Assis Chateaubriand – os Diários Associados.

Quebrar paradigma. Fazer diferente. Subverter. A atitude rotulada da juventude compõe a face da história destes 84 anos de O IMPARCIAL. De um jornal fundado pelas mãos de um único visionário-desbravador, o jornalista e empresário João Pires Ferreira, O IMPARCIAL passa a integrar desde 1944 o grupo nacional dos Diários Associados, projeto de comunicação idealizado por Assis Chateaubriand, o “Chatô”, com a ousadia de fi rmar no Brasil dos anos 20 uma cadeia de comunicação cuja obra-prima seria o bom jornalismo.

Uma ideia que extrapolou o limite dos pensamentos recatados e conservadores da época e resultou numa rede integrada de comunicação que é letra viva da história do país. Hoje são 14 jornais impressos, 11 rádios, oito emissoras de televisão, dez portais e pelo menos mais oito outros segmentos que fazem da comunicação o único negócio. O IMPARCIAL faz parte dessa bem sucedida jornada.

Desde a primeira página impressa, naquele 1º de maio de 1926, a ideia de romper com o modelo do jornalismo subserviente, num estado onde grupos políticos eram as mães em cuja sobrevivência qualquer veículo de comunicação estava sustentado, O IMPARCIAL nasceu órfão. Chateaubriand sabia disso. E nisso apostava. O jornal passou a ser mais um ente da rede Associados cuja pretensão genial do seu idealizador era eternizar as empresas do grupo.

O jornalista Pedro Freire, diretorpresidente de O IMPARCIAL, relembra: “O jornal já era o mais respeitado na época, pela sua proposta editorial. Há interpretação de que jornais de capitais pequenas não sobrevivem muito tempo. Provamos que não é verdade. Não somos atrelados a grupos políticos, nem dependemos deles para sobrevivência. Vivemos da comunicação e no nosso quadro de dirigentes não temos nenhum político, só profissionais da área. Desde a criação O IMPARCIAL já era conhecido por fazer diferente”. O jornalista acredita que também a absorção das tecnologias primada pelos Diários Associados é o que tem posto O IMPARCIAL no patamar dos grandes centros de comunicação. Quando todos os outros jornais do estado usavam modalidades antigas de suporte para escrita, O IMPARCIAL foi o primeiro a implantar o computador na Redação, por exemplo.

O diretor-presidente de O IMPARCIAL, Pedro Freire, diz que

os veículos dos Diários Associados estão mais integrados

Condomínio

acionário

Outra vez o “quebrar paradigmas. Fazer diferente. Subverter”. De um simples conglomerado, Chatô monta o Condomínio Acionário dos Diários Associados para manter todas as empresas funcionando em conjunto. Entre as regras estabelecidas pelo jornalista, na época, estava a de que o colegiado seria formado sempre por 22 pessoas, responsáveis também por eleger um novo integrante. Era a forma de eternizar o grupo. A mais recente quebra de convenções foi a eleição da primeira mulher entre seus integrantes. A editora-chefe do Correio Braziliense, a pernambucana Ana Dubeux, foi escolhida para integrar o grupo de 22 condôminos.

Os Diários Associados, ainda depois da escalada dos anos continua provando a modernidade com que atua e ajuda a passar uma imagem positiva para as outras mulheres que fazem parte do dia-a-dia de qualquer empresa vinculada ao grupo. “Esse é o reconhecimento a todas as mulheres jornalistas”, pontuou a mais nova integrante do condomínio acionário dos Diários Associados. “Tenho confiança na credibilidade dos Diários Associados e a expectativa é de fortalecer ainda mais o grupo como um todo para transformá-lo na potência de comunicação”, disse Ana Dubeux a O IMPARCIAL em meio a uma reunião do impresso Braziliense.

Nos 84 anos em que escreveu a letra viva da história, O IMPARCIAL já ajudou a edificar essa cadeia Associada. O impresso Aqui-MA – fenômeno de vendas no estado –, o portal ImparcialOnline, a TV Impar, somam-se as cerca de 50 empresas de comunicação do grupo.

Nos Diários Associados, O IMPARCIAL segue em convívio com as rotinas produtivas de grandes jornais como o Correio Braziliense (DF). Ainda quando a sede do jornal era o histórico prédio da Rua Afonso Pena, a rádio Gurupi também estava contabilizada nas novas empresas de comunicação agregadas por O IMPARCIAL. No terceiro andar do prédio, a Gurupi, uma filiada da Ceará Rádio Clube, difundia em ondas sonoras as informações aos maranhenses.

Em razão do governo federal os Diários Associados foram pressionados a vender pelo menos 20 rádios, entre elas a Rádio Gurupi. Em 1981, após a transferência de concessão da rádio e adaptações a Rádio Gurupi deixou de ser parte dos projetos com mesma marca de O IMPARCIAL e foi inaugurada como Rádio São Luis. Com 42 anos de empresa, 25 como administrador, o diretor-presidente de O IMPARCIAL escalou a partir da reportagem a chegada ao topo e hoje é também condômino no contrato societário dos Diários Associados. “Estamos todos integrados nessa rede e focados na edificação, cada vez maior, dos nossos trabalhos”, define o jornalista quando a pergunta é sobre o olhar diante do curso da história traçada nos Diários Associados.

Artigo dos professores José Ferreira Júnior e Patrícia Azambuja, publicado em 2006 na revista científica Cambiassu, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), constatou a ousadia e a inovação gráfica do jornal. A reforma em análise foi feita em 2006, quando O IMPARCIAL completou 80 anos. José Ferreira Júnior é doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor do Departamento de Comunicação Social da UFMA. Patrícia Azambuja é mestra em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual paulista) e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMA. A seguir, os principais trechos da publicação.

“O equilíbrio entre a atualização dos aspectos gráfico-visuais e a necessidade de manter um vínculo com uma tradição de 80 anos foi o ponto mais importante da reforma gráfica pela qual passou, nos últimos dez anos, o jornal maranhense O Imparcial, o mais antigo periódico diário da capital do Maranhão. A adoção da policromia e uma certa influência do confrade Correio Braziliense (ambos pertencem cadeia dos jornais dos Diários Associados) transformaram o sisudo O Imparcial em um jornal com ousadia gráfi ca presente, sobretudo, na exploração de capas-cartazes. Outra modificação a ser considerada foi, ainda, a construção de uma tipologia própria na qual os elementos modernizantes mesclam-se com caracteres que lembram o passado do octogenário diário, razão pela qual se atenua o choque visual que as transformações gráficas causaram no leitor ainda pouco familiarizado com os recentes avanços no campo da produção de imagens nos veículos impressos.”

“O jornal O IMPARCIAL, ao longo de seus 80 anos de vida, pautou-se pela busca em honrar seus intuitos editoriais, espelhados em seu próprio título. Daí que, em um exame superficial, encontra-se desde suas primeiras edições uma disposição gráfica austera, porém agradável, a qual privilegiava de modo marcante a intenção de sempre ouvir os dois lados da questão, colocando-se lado a lado às opiniões dos envolvidos em alguma polêmica pública e de interesse social.

O padrão visual que acompanhou o jornal até a década de 80 constitui-se em uma referência bem diversa daquela que hoje nos chega às mãos. Havia muito mais texto do que imagens, sendo, quase presença obrigatória, ornamentos como o fio (ou filete) que separava as colunas

de texto. O modelo tinha pouca variação entre um jornal e outro, também não havendo alterações em relação a publicações de estados economicamente mais avançados ou locais mais distantes dos centros de decisão nacional.”

“A partir de 1966, O IMPARCIAL renova o seu parque gráfico com a aquisição de uma rotativa offset, aumentando a tiragem e a qualidade das reproduções. Seguindo a tendência da mídia impressa no país, o jornal foi pioneiro no Maranhão na impressão em offset, sistematizou a prática da diagramação, sem, todavia, prescindir do rigor da apresentação visual, incorporando à facilidade que as inovações tecnológicas já permitiam dispor. Em 1986, soma-se ao conjunto: a policromia.”

“Em perfi l sobre o jornal, escrito nos anos 1980 para a revista do curso de Comunicação Social da UFMA, o professor Severino Cadorin aponta para uma caracterização do periódico, na qual se assentam os pilares norteadores de sua apresentação no âmbito do conteúdo e no domínio da forma: ‘Desde sua fundação, o jornal pretende ser imparcial, objetivo e sóbrio na apresentação das informações sobre os mais variados assuntos que interessam aos leitores e pretende ser defensor da família, dos bons costumes e das autoridades legitimamente constituídas, sem contudo filiar-se a qualquer partido ou facção ideológica’ (1986, p.5).”

“A tradução desses propósitos acompanhou O Imparcial, fazendo-o, por constatação empírica, a leitura das famílias, sobretudo de classe média, constituída por profissionais liberais, funcionários públicos, assim como o conjunto do empresariado local: um público menos afeito a ousadias gráficas, sendo que só recentemente, até por influência da editoração

eletrônica, a partir de 1996, houve espaço para maiores transformações no plano da apresentação visual.”

“Um jornal com tamanha longevidade situa-se em uma posição de testemunha da história, cuja expressão se revela na sua primeira página, sendo sua programação visual (conceito até certo ponto recente, mas não totalmente impreciso, caso se pense a história da publicação) voltada para explicitação do momento pelo qual o mundo estava passando.”

“Portanto, é instigante para quem é historiador, ou que tenha alguma afinidade com área, ver a coleção do jornal, na qual se tem a sucessão das imagens (fotos colocadas na capa do jornal) do cotidiano das batalhas da segunda guerra mundial, dia após dia. Ressalta-se ainda que, naquela época, o jornal constituía-se em verdadeira “mídia primária”, pois só se sabia de determinado fato (guerras, golpes de estado, acidentes etc.) por meio dos jornais que tiravam vários clichês durante o dia.”

“Foi na última década do século XX, que o jornal implementou uma reforma gráfica na qual se mudam de modo gradual a fisionomia visual e o ordenamento da paginação. O Imparcial estabeleceu um padrão próprio de programação visual, mantendo um diálogo com o confrade

Correio Braziliense da capital federal, no qual surgem ocasionalmente as majestosas capas-cartazes (ou capas-pôsteres), em cuja elaboração se destacam fotos, desenhos, composições híbridas, atualizando códigos da gramática visual, inserindo a publicação entre as de vanguarda do design gráfico nacional.”

“O projeto gráfi co, lançado em 1996, uniformizou a diagramação entre os jornais que fazem parte do grupo Diários Associados, sobretudo, no que se refere às famílias tipográficas. A fonte “Utopia”, com um desenho mais austero, empresta tradicionalismo ao projeto, além de facilitar a leitura dos textos, já que possui serifas e uma boa legibilidade. Na verdade, por tratar-se de uma fonte de difícil acesso, portanto, de uso quase exclusivo do grupo, acaba constituindo-se como um elemento de extrema importância para a identif cação do veículo de comunicação. Criando uma identidade visual marcante. Em maio de 2002, um novo projeto gráfico surgiu com o objetivo de fortalecer a idéia de construção de uma identidade exclusiva para o periódico. A homogeneidade entre o Correio Braziliense foi preservada pelas capas-pôsters, uma marca já incorporada por O Imparcial no jornalismo diário maranhense. No entanto, evidenciar particularidades próprias da região e do veículo tornou-se uma prioridade. De acordo com Célio Sérgio, gerente de Tecnologia do jornal O Imparcial: ‘É importante continuar lembrando que o jornal tem 80 anos de tradição, no entanto, não está parado no tempo’.”

“Transformação, modernidade e inovação tecnológica foram ingredientes essenciais nessa nova fase, apesar do choque inicial (principalmente entre os leitores mais conservadores). Uma mudança ainda mais profunda aconteceria no layout, inclusive, no que se relacionava à tipologia. Em um processo amplo de escolha, envolvendo profissionais de publicidade, designers e funcionários da empresa, um novo desenho de letra para o nome do jornal foi proposto e eleito. Com ele uma grande renovação visual. A ousadia era explicada pela motivação de fazer um jornal de quase oito décadas moderno, mas sem esquecer sua

na formatação desse novo logotipo, cuja fonte foi concebida na própria experiência de reformulação iniciada há uma década. Cláudio Lima, designer responsável pelo projeto, assegura que “ninguém cria algo do nada” (Oliveira Filho, 2002, p.4). Por

isso, pautou o seu trabalho em uma extensa pesquisa. Percorreu desde os primórdios da tipografia (século XVIII), incorporando influências importantes como as do tipógrafo inglês William Caslon e de escolas filosófi cas representadas por Friederich Nietzsche. ‘A verdade é uma pluralidade inesgotável e freqüentemente contraditória de enunciados ou discursos’ (Oliveira Filho, 2002, p.4). A partir dos conceitos de imparcialidade, verdade, contradição e pluralidade, Cláudio Lima criou uma fonte que mesclou maiúsculas e minúsculas em sua composição, com desenho provocativo, original e que produz, conseqüentemente, uma identidade forte para o jornal. A fonte inédita foi batizada com o nome de O Imparcial e é utilizada tanto no logotipo do jornal como no nome das diversas editoriais e seus respectivos cadernos .”

“Todo esse mapeamento sobre o qual se debruçam os estudiosos da construção gráfica serve para ampliar os horizontes das análises textuais, fazendo-as sair da esfera, quase sempre dominante, do universo do discurso verbal. Hoje, a relação gráficoeditorial é evidente. Nas tradicionais e, inclusive, no que se refere às novas mídias. No tocante, à concorrência entre meios impressos e Internet, a posição assumida pelo jornal apresenta-se como a mais apropriada. A sua linha de capa-pôster, com matérias de impacto, simplesmente, é uma confirmação da tendência na comunicação escrita para Internet: conteúdo e matérias investigativas.

Para tanto, o jornal desenvolve há três anos o projeto ‘Leitor do Futuro’. Construir e formar leitores são missões para o novo milênio. Somente assim o jornal poderá crescer, e o projeto gráfico inovarcada vez mais.”

A década de 20 foi rica em transformações políticas no país, como a Semana de Arte Moderna, o tenentismo e a notável marcha da Coluna Prestes, liderada por Luiz Carlos Prestes. O movimento epopeico chegou às terras maranhenses em 1925, procedente do Piauí, mas sem provocar enfrentamentos com as forças legalistas.

O próprio Prestes, em suas memórias, disse que, ao chegar ao Maranhão, os
integrantes da Coluna foram recebidos como heróis. Por quê? Por ter vindos do Rio Grande do Sul, entrando em terras paraguaias, passado por Mato Grosso, cruzado o Nordeste e atingido o Maranhão. Era algo inimaginável naqueles tempos. “O povo era simpatizante, por que havia no Maranhão uma grande oposição política ao governo”, afi ançou o líder revolucionário.

A economia do Maranhão se movia por mar, ferrovia e rios. Tanto entre a capital e a Baixada, quanto em relação às demais regiões. O sertão se comunicava com a capital pelo Rio Itapecuru e pela ferrovia São Luís-Teresina. A via férrea surgiu em 1920 com a fusão da Estrada de Ferro Caxias a Cajazeiras, porto fl uvial de Flores, hoje Timon (antiga Estrada de Ferro Senador Furtado) e a Estrada de Ferro São Luiz a Caxias. Vale ressaltar
que a interligação dessas linhas só aconteceu em 1930, quando os trilhos foram implantados até São Luiz.

O ex-vereador e empresário Benedito Pires I lembra do tempo em que pai dele saía de casa em Rosário para comprar O IMPARCIAL na estação, cuja distribuição era feita por esse meio de transporte. Naquela década de 20, a Praia Grande era o centro comercial de São Luís, enquanto a classe dos comerciantes habitava nos sobrados da área, hoje tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Os ricaços, em debandada, abandonaram o casario histórico mal conservado
e pegaram a direção das praias. Hoje se pode medir o tamanho da conta bancária de cada morador pela altura do apartamento que ocupa nos arranha-céus. O centro histórico, convenhamos, é outra história. De abandono. Em 1920, o Maranhão possuía pouco mais de 1,5 milhão de habitantes. Tinha na cultura do algodão seu principal item na pauta de exportação e de geração de riqueza interna. O parque industrial têxtil marcou uma época de ouro na economia estadual, com suas fábricas em São Luís, Caxias e Codó. Pobre vestia roupa de brim grosso ou riscado XPTO. Os ricos importavam “cortes” de linho belga e cambraia. As industriais têxteis quebraram por falta de renovação tecnológica.

O próprio João Pires Ferreira, o fundador, tinha uma empresa de representação e exportação, quando resolveu aventurar-se no jornalismo, instalando O IMPARCIAL na Rua Magalhães de Almeida, posteriormente transformada em avenida pelo então prefeito Jaime Tavares. A capa do jornal trazia o nome do irmão do fundador, José Pires Ferreira, como gerente editor. Naturalmente que a tiragem era modesta, mas o conteúdo atual e inovador. As limitações do sistema de composição textual tipográfi co e a impressão até pelo sistema de composição e impressão do matutino. O noticiário internacional chegava em inglês, por telegrama da Western. O local era opinativo e cada jornalista fazia o seu estilo.

Mesmo assim, o jornal já saiu forte, provocando a migração de anúncios de outros jornais, como o Diário de São Luís, que tinha Nascimento de Moraes como editor. Os cinemas Eden, Olímpia e Royal eram anunciantes do Diário, que logo passou a perdê-los para O IMPARCIAL, graças à qualidade gráfi ca, o conteúdo diferenciado, o número de páginas e a linha editorial. A impressão era capaz de reproduzi com fi delidade os guichês dos cartazes dos fi lmes.

O escritor Josué Montello (1917-2004) na crônica “Memórias” diz que há duas maneiras de puxar pela mesma. Numa, começa-se a convocar as lembranças com estas palavras introdutórias: “Por esse tempo…”. Na outra, principia-se em tom mais evocativo

assim: “No meu tempo…”. Não desmereço de uma e menos da outra colocação. É preciso atentar para o que diz a escritora e ativista Susan Sontag (1917-2006), a respeito. “(…) O passado é um continente imenso, o presente um fio de navalha, e o futuro, o mesmo que se pode dizer dele é que é duvidoso. A grande realidade, pois, é o passado, como acrescenta a sabedoria popular, por ser algo que não passou, ou seja, aquilo que ficou.”

Não fugirei à regra, começarei pelo, ontem, sem essa de “No meu tempo” ou “Por esse tempo”. Prefiro me afogar nas águas do continente de Sontag, daí puxar pela memória e apelar a um recurso que imagino ter coerência. Uma coisa não se deve renunciar, a lembrança e confesso: Não dá para esquecer a sacada ampla, de piso de mármore e grade de ferro, da Rua Formosa, 46. Fixo o meu olhar nesse prédio de rara beleza, quando lá funcionou, o jornal O IMPARCIAL, por muitas décadas e o qual abrigou também o vespertino “Pacotilha – O Globo” e a Rádio Gurupi, todos da “Cadeia Associada”.

Nesses veículos de comunicação dei os primeiros passos para uma aprendizagem, que permaneceu para sempre, e desse modo, me transformei num profissional e os servi, anos depois, com a experiência adquirida. A fascinante descoberta sobre o que desejava ser, ajudou-me a alcançar novas conquistas e seguir em frente, na busca de uma realização. Foi preciso entregar-me com dedicação, empenho no absorver conhecimentos, leituras, o observar e ouvir conselhos dos jornalistas calejados.

Sabedor da passagem pelas redações daqueles órgãos de informação de um grande contingente de repórteres os quais se constituíram na formação de uma elite privilegiada na sociedade local, que merecidamente tornaram-se famosas e respeitadas, não passava de motivação a mais. Por lá trabalharam futuros governador do Maranhão, presidente da República, desembargadores, membros da AML, juízes de direito, promotores de justiça, membros do Superior

Tribunal de Justiça, Superior Tribunal Federal, advogados famosos, professores universitários reverenciados, jornalistas que ultrapassaram a nossa fronteira, escritores de nome internacional e roteiristas de cinema conhecidos no exterior etc.

O IMPARCIAL continua a manter a tradição sob o comando dinâmico e certeiro dos jornalistas Pedro Freire (diretor-geral) e Raimundo Borges (diretor de redação) ao prosseguirem com a oficina de lapidar talentos, transformar o jornal para circular sintonizado

com a era da informática e enfrentar a crise econômica que se abateu, principalmente em 2008, dando grandes prejuízos ao setor, e a qual abalou a estrutura forte de jornais europeus e dos EUA, com dezenas encerrando as atividades, enquanto outros pedem falência.

O Brasil sofreu com o problema, não tanto, a ponto de se desencadear fechamentos e pedidos de concordata, nas grandes empresas. A turbulência, com a recuperação da crise, os problemas vão se afastando. Lamentavelmente, pela perda da tiragem, migração da publicidade e o aparecimento de novos meios de comunicação, os jornais precisam reinventar-se, a cada dia, para assegurar o lugar merecido na história. Quanto aos que falam no fim das folhas impressas, não passa de profecias bizarras, que não se deve levar em consideração.

Aquela sacada, com histórias a contar, não dá para esquecer e menos a máquina de produzir notícias, que fez do periódico um dos mais respeitáveis do estado. E daquele janelão eu me debruçava sobre os adornos para olhar as pessoas que desciam e subiam a escada do ônibus, linha Monte Castelo, com fila na calçada, onde se achava instalada a casa comercial Ferro de Engomar.

Passavam os transeuntes, uns apressados, gente humilde, endinheirada, mendigos e moças bonitas. Adiante, quase vizinho a Casa Mohana abelhudava, nesta direção, na esperança de ver o padre e grande escritor João Mohana, sempre portando um guarda-chuva e uma bolsa preta, sair à rua, para missões religiosas. Certa vez o procurei para me orientar sobre a arte e a técnica de redigir. Bondosamente e com inteligência, a exemplo do ditado chinês que diz ser recomendável dar o caniço e o anzol ao pescador, no lugar do peixe, ele me ofereceu o livro “Introdução ao jornalismo”, de F. Fraser Bond, segunda edição de 1962 e me recomendou lê o, o que faça ainda hoje, eventualmente. O livro ensinou o que é jornal e jornalismo, sob os diversos aspectos.

Ficava contemplativo, tentando descobrir o que faziam aquelas pessoas, de onde vinham e para onde iam. Queria saber das reclamações da vida, o que esperavam do amanhã e como foi o ontem ou o que pensavam das autoridades públicas e o que delas esperavam. Tinha na cabeça uma pauta e uma preocupação com os marginalizados da sociedade. Enriqueceria a mesma se nesses momentos o chefe da empresa Pires Sabóia ou o chefe de redação, Emanoel Silva não me despertassem à realidade e me mandassem cobrir os fatos policiais, que lugar de repórter é na rua.

Meninos eu vi e convivi com o jornal a quente, aliás, composta as letras nas linhas de chumbo derretido, pela linotipo ou a mão e paginado pelos operários, exatamente, para o uso dos títulos e algumas matérias, tal e qual nos tempos de Gutenberg, com os tipos móveis; ouvi o tilintar de batidas altas das jurássicas máquinas de escrever, que muitos, ao reagirem ao progresso se submetiam ao lápis ou a caneta bic. Vi a impressão pelas pesadas e quebradiças impressoras, cuja zoada abalava o local onde funcionava a oficina, e ficava o tirador de provas, que as entregavam ao revisor; assistir a várias sessões da confecção do clichê, que exigia como matéria-prima, produtos químicos, zinco e madeira.

Computador só na década de 80 do último século. Tudo mudou para melhor, com a chegada das novas tecnologias. Os jornais até a década de 1950, início de 60, quando não havia TV, só rádio, tinham uma circulação maior que os dias de hoje, a levar em consideração o número de habitantes e alfabetizados, o evoluir da educação, a melhoria do poder aquisitivo. Com os debates entre os grandes panfl etários, como um Erasmo Dias, Amaral Raposo, Walbert Pinheiro, Neiva Moreira, Amorim Parga e outros, o jornal era aguardado, como quem espera o próximo capítulo da novela.

“O Globo” explorando notícias policiais atraia um grande número de leitores, que a empresa Pacotilha se via obrigada a tirar uma segunda edição. Para mexer e despertar a atenção do público o jornal do lado de fora, com um fi o amarrado na janela, colocava cartazes com os títulos chamativos, o que aglomerava um bom número de curiosos.

Fazia o mesmo em outro lugar próximo. Eram colocados cavaletes na Praça João Lisboa, ao lado do antigo Banco Econômico. Os jornaleiros gritavam as manchetes, com criatividade pelo centro e bairros da cidade, o que aumentava o interesse pelas notícias:

“Leia o crime do Batatã: amante mata mulher casada”. Havia fi las na porta do jornal esperando pela distribuição do vespertino. O jornalismo que se pratica mudou muito. Pelo menos nos bons jornais há respeito pela ética e a verdade, princípios indispensáveis para o aperfeiçoamento da democracia.

Aquela sacada de ferro, não dá mesmo para esquecer, ainda mais quando O IMPARCIAL chega aos 84 anos (1º de maio) de funcionamento, com saúde financeira saudável e funcionando ao longo desse tempo, sem interrupção e depredação, fato raro na história da imprensa brasileira.

O jornaleiro mais antigo da cidade, conta como viu nascerem e morrerem publicações ao longo dos últimos 59 anos, enquanto O Imparcial seguia em frente

Quem viveu muito, tem muita história para contar. Assim são as pessoas e assim, os jornais. O IMPARCIAL não é diferente. O “seu” João também não. O jornal mais antigo do Maranhão em circulação, com 84 anos, registra muitas histórias e conviveu lado a lado, nas bancas, com outras publicações locais e nacionais que não resistiram ao tempo.

João Mendes Gomes, 70 anos, dos quais 59 dedicados a vender jornais e revistas, é testemunha viva dessa história. De sua banca, no Largo do Carmo, ele acompanhou a transformação da imprensa maranhense. Seu João começou como ajudante de distribuidor de jornais até alcançar o posto de dono de uma banca, adquirida pela primeira vez nos anos 50 do Banco da Amazônia, que havia instalado três espécies de quiosques de madeiras para vender cupons destinados a sorteios de bens móveis.

Naquela década, “o Largo do Carmo fervilhava de gente, políticos e jornalistas”, relembra João Gomes. As redações dos principais jornais daquela época estavam instaladas na própria praça ou nas ruas adjacentes. Localizava-se ali, ao lado do hoje Banco Real, o “Diário de São Luiz”, incendiado durante a Greve de 51. Saindo do Carmo, no início da rua Formosa, hoje Afonso Pena, estavam instalados os jornais dos Diários Associados – O IMPARCIAL, “Diário do Norte”, “Pacotilha” e “O Globo”, os dois últimos unificados posteriormente sob o nome de Pacotilha-O Globo. “O Combate”, de Lino Moreira, “A tarde”, de Vitorino Freire, “Jornal do Povo”, Neiva Moreira, se espalhavam em ruas próximas. Os mais distantes eram o “Diário da Manhã”, de Newton Bello, e “O Dia”, de Alexandre Costa.

Também estava instalada no Largo do Carmo, “A Colegial”, livraria que vendia e distribuía revistas infantis (Gibi, Guri, Tarzan, Capitão Marvel, Bolinha entre outras) e outras para adultos: O Cruzeiro, dos Diários Associados, Manchete e Revista. “Todas em preto e branco e nenhuma pornô”, frisa João Gomes. As poucas revistas do tipo erótico que “chegavam ao estado em navios e não continham fotografias, mas desenhos”.

São Luís vivia um quase isolamento completo naqueles anos. As ligações com outros se faziam por meio de embarcações e da estrada -de ferro São Luís-Teresina, da Rede Ferroviária Federal. O transporte aéreo era raro e precário. O hoje Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado era uma pista de grama de mil metros, construída em 1942, que atendia a Base Aérea do Exército Brasileiro. Durante a 2ª Guerra Mundial, o espaço foi cedido para a instalação de uma base norte-americana.

Por essa razão, São Luís não recebia jornal de outros estados. “Nós só vendíamos os jornais locais e algumas poucas revistas, que chegavam de trem”, afirma João Gomes. Essa situação somente seria alterada no fi m dos anos 60, quando começaram a chegar jornais como “O Globo” (RJ), “Última Hora” (RJ), “Folha de S.Paulo” (SP) e “O Estado de São Paulo” (SP).

E seu João Gomes estava ali, em seu posto no Largo do Carmo, recebendo e repassando os exemplares dessas publicações, antigas em existência, mas novas na cidade. Também em frente àquele ponto de venda, o operário João Evangelista de Sousa foi morto a tiros de fuzil durante o levante popular contra a corrupção eleitoral comandada por Vitorino Freire. Os embates entre os grupos políticos do estado se refl etiam nas páginas das publicações e, algumas vezes, degeneravam a ataque aos veículos – alguns foram incendiados, empastelados ou inundados. Na calada da noite ou em plena luz do dia. E como os grupos definhavam os jornais também.

Depoimentos de quem acompanha a trajetória de O IMPARCIAL mostram o fiel cumprimento da missão do jornal

SANDRA VIANA

Credibilidade, seriedade, compromisso com a notícia e como o próprio nome sugere, imparcialidade da informação. Atributos que garantem a O IMPARCIAL o posto de jornal requisitado por leitores, pesquisadores, estudiosos, jornalistas e aqueles que procuram a informação confiável e bem apurada. Tal importância é concedida por nomes ilustres que fizeram e fazem parte desta história contada ao longo dos 84 anos comemorados por O IMPARCIAL mostraram, em palavras, a admiração que têm pelo jornal mais antigo do Maranhão.

“Os últimos 30 anos foram importantes, pois o jornal passou por um processo de atualização e hoje temos produtos inovadores no mercado, como o Aqui-MA.”

Pedro Freire

Diretor-presidente dos Associados-MA

“Estamos em um momento de colheita. Tudo que plantamos nos últimos anos, estamos colhendo agora. Comemoramos os 84 anos do jornal O IMPARCIAL, mas chegamos a esta data como um grupo com o Aqui-MA, o saite, o Espaço Ímpar.”

Pedro Henrique

Editor-chefe do Aqui-MA e de O ImparcialOnline

“Uns ficaram, O IMPARCIAL sobreviveu. Permanece o ideal de J. Pires, o ideário de Assis Chateaubriand e a determinação do atual presidente, Pedro Freire, de reinventar o jornal e adaptá-lo às tecnologias modernas e as formas da fazer jornalismo.”

Raimundo Borges

Diretor de Redação

“O IMPARCIAL é a verdadeira universidade de jornalismo do Maranhão. Os principais profissionais que estão no mercado passaram por aqui, sem falar nos nomes históricos.”

Douglas Cunha

Jornalista, 65 anos, 35 deles vividos em O IMPARCIAL. Começou como repórter de polícia e hoje é editor do Aqui-MA.

“O IMPARCIAL sempre foi um jornal de muito prestígio na cidade. Nunca perdi o vínculo sentimental com O IMPARCIAL e com os antigos companheiros de jornal”.

José Sarney

Presidente do Senado Federal, que começou no jornalismo neste matutino como repórter de Polícia chegando a editor do Caderno Literário

“É a maior fonte de pesquisa dos fatos ocorridos no Maranhão nos anos 20, período em que se ocupou em registrar sobre tudo. É uma escola, uma universidade em favor da democracia, da imparcialidade e da imprensa livre, pois, sem liberdade, não há imprensa, não se faz jornalismo.”

Milson Coutinho

Desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, escritor, jornalista e atual presidente da Academia Maranhense de Letras (AML).

“Lá comecei minha vida profissional e hoje vejo que o jornal continua elegante, sem ser panfletário, criticando sem insultar. O considero a Bíblia do jornalismo maranhense.”

José de Jesus Louzeiro

Escritor e roteirista, que trabalhou como auxiliar de revisor no matutino

“Aprovo totalmente a inovação visual trazida por O IMPARCIAL ao Maranhão. A capa é feita com efeito artístico além do jornalístico. Com isso agrega mais valor, clareza e interesse à informação. Sempre utilizo exemplos do jornal em minhas aulas.”

José Ferreira Júnior

Professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Lançou um livro onde trata das capas de jornal e destaca o matutino como primeiro a utilizar capas-cartazes

“O IMPARCIAL continua a manter a tradição ao prosseguirem com a oficina de lapidar talentos. Chega aos 84 anos com saúde financeira saudável e funcionando, ao longo desse tempo, sem interrupção e depredação, fato raro na história da imprensa brasileira.”

Sebastião Jorge

Professor, jornalista e escritor relembrando sua passagem pelo jornal

“A longevidade somado ao status como referência para formação de opinião e ideias permite ter em O IMPARCIAL uma fonte de consulta inesgotável. A importância do matutino se dá ainda no resgate e registro documental da evolução social e política do Maranhão.”

Francisco Gonçalves da Conceição

Professor e chefe do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

“Pode-se dizer deste jornal o que Ingeneiros disse do livro: ‘É, mais do que um gesto é uma atitude! Exercendo a sua função altamente social’”.

Astolfo Serra

Padre que governouo Maranhão entre janeiro e agosto de 1931, em artigo

Na redação e produção do jornal dos Diários Associados militaram personalidades, hoje, da política, literatura e cinema

SANDRA VIANA

“O IMPARCIAL sempre foi um jornal de muito prestígio na cidade”. A afirmação poderia soar lisonjeira, viesse do fundador, presidente ou mesmo de um apaixonado jornalista da equipe do referido matutino. No entanto, tal reconhecimento parte do hoje presidente do Senado Federal, o maranhense José Sarney de Araújo Costa, sumidade política (ex-presidente da República, senador, deputado federal, deputado estadual e governador do Maranhão), advogado, escritor e jornalista. Este último posto, despertado na redação de O IMPARCIAL, onde iniciou sua história na imprensa maranhense. E começou na editoria de Polícia, onde poucos querem se aventurar e outros renegam.

Àquela época, relembra o político, as coisas eram bem diferentes, referindo-se às dificuldades quanto à própria logística de equipamentos, profissionais e o fazer jornalismo. “O repórter não apenas apurava para escrever, ele na verdade era responsável por diversas etapas – da redação da matéria à edição final”. Por vezes, reitera, cabia ao repórter fazer o papel de gráfico orientando na condução da diagramação até a rodagem do texto em papel-jornal.

Sarney começou na Polícia e ascendeu no matutino. Foi secretário de redação, editorialista e encerrou sua estada no jornal como editor responsável pelo O IMPARCIAL Retrospectiva, chegando também a escrever no impresso um caderno literário. A literatura, outro embrião cultivado em O IMPARCIAL, despontaria como mais uma de suas aptidões anos depois.

“Aquele tempo trabalhávamos com uma tecnologia primitiva. Nós jornalistas fazíamos grande esforço diário. Tínhamos que, além de escrever, editar duas vezes o material e passar à gráfica”, lembra. Mas, para ele, não foi esforço em vão. O presidente do Senado conheceu, conviveu e se tornou amigo de Assis Chateaubriand, companheiro de imprensa e fundador do grupo Diários Associados, do qual O IMPARCIAL é componente. As vicissitudes que poderiam ficar destes “tempos difíceis” se traduziram na experiência para alcançar vôos maiores.

“Nunca perdi o vínculo sentimental com O IMPARCIAL e com os antigos companheiros de jornal”, relata em tom de saudosismo. Aos que admiram, aos que execram, aos que ignoram, José Sarney é reconhecido pela sua história, importância e influência política e contribuinte do atual cenário da imprensa maranhense.

Milson Coutinho

Não menos importante neste cenário, está Milson Coutinho, desembargador aposentado, ex-presidente do Tribunal de Justiça, escritor, jornalista e atual presidente da Academia Maranhense de Letras (AML). Coutinho engrossa a lista de exímios profissionais da imprensa que optaram por outro caminho, mas não deixaram de lado a veia jornalística. Eram anos 80, relembra ele, uma passagem extraordinária que remete a uma das muitas obras.

“A Revolta de Bequimão”, antes de ser publicada, foi veiculada em capítulos nas páginas de O IMPARCIAL. Coutinho escreveu no impresso a coluna Sacadas, editoria que abria espaço semanalmente a vários nomes da imprensa e literatura maranhense, inclusive com a participação do irmão Elsior Coutinho. Enquanto esteve no matutino atuou como colaborador escrevendo artigos literários e de opinião.

Para ele, O IMPARCIAL permanece uma casa de aprendizagem, de alta camaradagem, de amigos. Amigos estes que datam de mais de 30 anos, reitera. O jornal vai completar 100 anos, visualiza, e estarei lá para ver. A convite do jornalista e diretor de Redação do jornal, Raimundo Borges, foi convidado a escrever um artigo alusivo aos 84 anos do matutino, veiculado em 1º de maio.

“Uma honra à casa onde vivi e mantenho irmãos-amigos”, afirma. Coutinho vai além quando reconhece ser o matutino a maior fonte de pesquisa dos fatos ocorridos no Maranhão nos anos 20, período em que se ocupou em registrar sobre tudo. O IMPARCIAL, complementa, é uma escola, uma universidade em favor da democracia, da imparcialidade e da imprensa livre, pois, sem liberdade, não há imprensa, não se faz jornalismo.

José Louzeiro

Sumidade na literatura nacional, o escritor e roteirista José de Jesus Louzeiro, é outro maranhense notório que também figurou em O IMPARCIAL. Antes de passar pelos grandes jornais do eixo Rio-São Paulo como a Folha de S.Paulo, Correio da Manhã e Diário Carioca, fez sua base no matutino maranhense na função de auxiliar de revisor, em 1948, aos 16 anos. Por três anos circulou pelo impresso e chegou a trabalhar no Globo Pacotilha, similar ao jornal Aqui-MA, mais recente mídia que se somou à empresa.

O interesse pelo jornalismo veio com o ‘empurrão’ do repórter Moacyr Barros. Este saía à caça das célebres histórias policiais e no seu encalço o então novato e curioso José Louzeiro. Assim tomou gosto pelas noticias policiais e, consequentemente, pelo jornalismo. “Ficou em mim a lembrança de onde comecei minha vida profissional”, relata.

De O IMPARCIAL saiu para construir com o amigo José Sarney um caderno literário, onde estavam ícones como o jornalista Lago Burnett e o poeta Ferreira Gullar, também membros cativos de O IMPARCIAL. “O jornal continua elegante, sem ser panfletário, criticando sem insultar. O considero a Bíblia do jornalismo maranhense”, eleva.

Aos 84 anos, O IMPARCIAL prova que os caminhos se cruzam e retornam ao ponto de partida. Nomes que ontem ajudaram a construir a credibilidade do mais antigo jornal do Maranhão, hoje comemoram com ele o posto alcançado, comemoram com ele décadas de arte no fazer notícia.

O IMPARCIAL faz parte dos Diários Associados, conglomerado de comunicação presente em sete estados e no Distrito Federal


Sem o empenho de Assis Chateaubriand, a história da comunicação no Brasil teria sido diferente. Ainda nos anos 20, quando o Brasil ensaiava os primeiros passos rumo à urbanização, Chatô lançava seu ousado projeto, fundando uma cadeia de jornais, rádios e emissoras de televisão, contribuindo para integrar as diversas regiões do Brasil, até então praticamente incomunicáveis entre si devido à enorme dimensão do país.

Em meio às inovações culturais e mudanças sociais, começava a renovação da mídia nacional. Nasciam os Diários Associados, com a aquisição de O Jornal, em 1924, primeiro passo para a construção de um império de comunicação que, em duas décadas, conseguiu cobrir o país com veículos em todas as capitais.

Com um golpe na imprensa da época, O Jornal inovou com a linha editorial dirigida aos interesses do país, substituindo os longos textos opinativos. Iniciou edições especiais e de mobilização cívica, criando movimentos contra a o preço alto das habitações e de incentivo à alfabetização popular. Depois veio a revista O Cruzeiro, publicação nacional que antecipava o projeto do grupo de atingir todas as unidades da Federação. A revista provocou um verdadeiro “terremoto gráfico e editorial”, sendo impressa em cores, com grandes reportagens, farta utilização de fotos e ilustrações.

Depois do Rio de Janeiro, sede das duas publicações pioneiras, outros estados entraram na geografia dos Associados. Em 1929, foi a vez do Diário da Noite e do Diário de São Paulo (São Paulo), Estado de Minas (Belo Horizonte), Diário de Notícias (Porto Alegre) e os cariocas ganhavam mais uma com o Diário da Noite.

A fase de expansão dos anos 30 fez dos Diários Associados a primeira rede de comunicação do Brasil, realizando o sonho de Assis Chateaubriand de promover a integração nacional através da informação. Além de incorporar jornais como o Diário da Tarde (Belo Horizonte), Diário de Pernambuco (Recife), Monitor Campista (Rio de Janeiro), Diário Mercantil (Juiz de Fora), Diário do Paraná (Curitiba), Jornal de Alagoas (Maceió), Estado da Bahia (Salvador) e Correio do Ceará (Fortaleza), os Associados inauguraram a Agência de Notícias Meridional, a primeira do país, e entraram para o mundo da radiodifusão, com a Rádio Tupi, em 1935. O IMPARCIAL foi incorporado ao grupo em 1944.

Depois de consolidada a presença em várias regiões do país, o grupo iniciou a política de responsabilidade social e empresarial nos anos 40, atuando, por exemplo, em campanhas de combate à mortalidade infantil. O transporte aéreo também ganhou aliança do grupo de Chatô, com a Campanha Nacional de Aviação. Unindo o Brasil, carente de estradas e veículos, o movimento levou informação a todo o território nacional, com a criação de aeroclubes e a doação de 500 aviões em parceria com empresários.

Os Associados também contribuíram socialmente com a inauguração do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), principal acervo da América Latina. Os investimentos nos anos 60 ainda se estenderam pelo Brasil afora, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, o Museu de Feira de Santana (BA), o Museu Rubem Berta (RS), a Galeria Brasiliana (MG) e o Museu Pedro Américo (AL). A criação dos parques nacionais do Xingu e do Tumucumaque também demonstraram a preocupação do grupo com à causa indígena.

Trouxemos a televisão

Quando apenas os Estados Unidos, Inglaterra e França possuíam o sistema televisivo, Chatô incluiu o Brasil no seleto grupo, colocando no ar a TV Tupi-Difusora (São Paulo), num ousado projeto em 18 de setembro de 1950. Ainda nessa década, Chatô criou o Condomínio Acionário. Sem fazer dos condôminos donos do conglomerado de jornais, revistas e emissoras de rádio e de televisão, a organização reuniu diretores e colaboradores que assumiram a administração do grupo depois da morte do fundador.

Ao chegar aos 85 anos, em outubro do ano passado, os Diários Associados se “repaginaram”, ganharam nova logomarca e começam novamente seu plano de expansão. Através do site www.diariosassociados.com.br é posível conhecer mais sobre o grupo, que hoje, aliás, não teme contar sua própria história, independente de qualquer crise que tenha ocorrido.

Hoje os Diários Associados estão presentes em 7 Estados e no Distrito Federal, possuem 14 jornais, 2 Revistas, 8 emissoras de televisão, 12 rádios, 3 portais, 14 sites, 1 Fundação e outras 7 empresas.

Ainda mantém o projeto “Memória Diários Associados” (vale a pena dar um pulo no item “Linha do Tempo” do site), que reúne através dos arquivos e acervos de seus veículos a trajetória do conglomerado e a memória nacional. É coordenado pela Fundação Assis Chateaubriand, como já foi falado. Vale a pena conhecer mais e saber que eles ainda estão por aí, preservando uma parte importante da história da comunicação nacional.

EMPRESAS DO GRUPO

Jornais

Correio Braziliense (DF)

Aqui DF (DF)

Diário da Borborema (PB)

Diário de Natal (RN)

Diário de Pernambuco (PE)

Aqui PE (PE)

Diário Mercantil (RJ)

Estado de Minas (MG)

Aqui BH (MG)

Aqui Betim (MG)

Jornal do Commercio (RJ)

O Imparcial (MA)

Aqui MA (MA)

O Norte (PB)

Rádios

Clube FM (DF)

Rádio Clube AM (DF)

Rádio Clube AM (PE)

Clube FM (PE)

Rádio Guarani FM (MG)

Rádio Tupi AM (RJ)

Nativa FM (RJ)

Rádio Clube AM (RN)

Clube FM (PB)

Rádio Clube AM (PB)

Rádio Clube AM (CE)

Emissoras de televisão

TV Alterosa Belo Horizonte (MG)

TV Alterosa – Divinópolis – (MG)

TV Alterosa – Juiz de Fora – MG

TV Alterosa – Varginha – MG

TV Brasília (DF)

TV Borborema (PB)

TV Clube (PB)

TV Clube (PE)

Portais

Pernambuco.com

Correio Braziliense

Correio Web

DN Online

O Imparcial

O Norte Online

Vrum

UAI

Lugar Certo

Admite-se

Revistas

Ragga (MG)

HIT (MG)

Outras empresas e atividades

Fundação Assis Chateaubriand

Alterosa Cine Vídeo

Teatro Alterosa (MG)

DA Press (DF)

DA Log (DF)

NEW AD BRASIL em várias capitais

Casarão onde o jornal funcionou é restaurado como patrimônio arquitetônico da cidade

SAMARTONY MARTINS

O Solar 46 da Rua Formosa, um dos casarões mais importantes do conjunto arquitetônico e paisagístico de São Luís, está sendo restaurado pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico do Maranhão (Iphan). O prédio refl ete um dos principais períodos econômicos em que a cidade acumulou riquezas com a exportação de algodão, arroz e açúcar. Só para a obra de sustentação do imóvel, que estava na iminência de desabar, foram destinados recursos do governo federal na ordem de R$ 1,029 milhão. Localizado no Centro Histórico entre o Beco Quebra-Costa, atual Beco da Pacotilha, e a Rua 14 de Julho, o solar que também é conhecido como Palacete da Rua Formosa (antigo nome da Rua Afonso Pena) foi uma das quatro sedes do jornal O IMPARCIAL, que ali funcionou durante 50 anos. O imóvel é uma referência histórica porque fez parte do primeiro projeto de urbanização de São Luís, traçado realizado pelo engenheiro- mor Francisco Frias de Mesquita.

Segundo Kátia Bogea, superintendente regional do Iphan-MA, o Palacete da Rua Formosa é emblemático, mágico em formas e matizes da luz equatorial. “O solar é a essência artística de um tempo, mesclado no engenho português e na conveniência do clima amazônico”, disse a arquiteta.

Construído em 1820 a 1829, para servir de residência ao fazendeiro Antonio Gonçalves Machado e sua família, nos dois pavimentos superiores o imóvel abrigava parentes, agregados e escravos. Já o pavimento térreo era alugado para fi ns comerciais. O solar também foi residência de outras famílias ilustres, como a do tenente-coronel Raimundo Sousa Brito Soares de Sousa e do comendador Joaquim da Silva Leite. Este último evocado pelo escritor Humberto de Campos em suas “Memórias Inacabadas”, quando se refere ao sobrado “cujas as escadarias haviam sido feitas para dar passagem a oito pessoas de cada vez. E recordo-me que havia ali no alto, uma claraboia em forma de cúpula, a qual devia descer sobre as pessoas e sobre as cousas uma claridade suave e religiosa”. O escritor Aluísio Azevedo foi outro escritor que fi cou encantado com o local. No livro “O Mulato”, ele também cita o palacete ao descrever um baile, em seus salões nobres quando nele funcionava o famoso Clube Euterpe. O palacete que possui o estilo tradicional luso-maranhense é um dos poucos casarões da época que apresenta um sistema construtivo remanescente do período pombalino. Kátia Bogea afirma que o solar continua íntegro porque muitos destes casarões foram modificados, descaracterizados.

A superintendente ressalta que esforço do Iphan para restaurar o imóvel justifi ca-se, em decorrência da preservação de uma tecnologia construtiva de fundamental importância para o entendimento da história da arquitetura do Maranhão, Brasil e do mundo. O palacete também é parte significativa da história de usos e costumes da sociedade são-luisense que, ao longo dos últimos 180 anos, se confundem com a sua própria história através dos seus diversos usos. Em suas dependências funcionaram a Firma Comercial Pereira Malheiros e Cia (que vendia mobiliários franceses, portugueses e Belgas); Butique de Luxo Bazar Maranhense; Joalheria Maurício Swaab; Colégio Nossa Senhora Soledade (só para moças); escritório da Companhia de Iluminação a Gás de Hidrogênio; Hotel Central; Clube Familiar; Loja Fazenda de Miguel Nazar; Clube Euterpe; Colégio Rosa Castro; Colégio Ateneu Texeira Mendes; Tribunal de Justiça do Estado Maranhão; tabelionato de Domingos Quadros Barbosa; Cassino Brasil; sede dos Diários Associados; Rádio Difusora; Rádio Timbira; Empresa Pacotilha e Jornal O IMPARCIAL.

“Todos os fatos históricos importantes da sociedade são-luisense passaram pelo Palacete da Rua Formosa”, afi rmou Kátia Bogea. Em 1940, o grupo Diários Associados adquiriu o prédio para instalar a sua sede. Mas somente em 1944, Assis Chateubriand, destinou seu uso para instalação da Rádio Difusora, primeiro veículo radiofônico do Maranhão, tornando-se mais tarde sede da Rádio Timbira.

Exemplar da arquitetura pombalina

Responsável pela restauração, a arquiteta Stela Brito explicou que a arquitetura do palacete é ímpar. O térreo é feito todo em alvenaria de pedra argamassada. A partir do mezanino e do primeiro e segundo pavimentos foi usada a técnica construtiva de taipa conhecida como Cruz de Santo André. Stela Brito explicou ainda que o prédio sofreu alterações em sua estrutura com o passar do tempo. O mirante foi ampliado para as laterais, por exemplo.

“Identificamos que este acréscimo já existia em 1908, em função de suas quantidades de uso. Houve uma necessidade de ampliação de espaço para escolas, hotéis e seus outros destinos”. Por ser um exemplar íntegro da arquitetura pombalina (mesma técnica de construção usada para reerguer rapidamente os prédios de Lisboa após um terremoto em 1775), o Palacete da Rua Formosa é um exemplo de arquitetura bem sucedida que é modelo para os dias de hoje.

“Quando ocorreu o terremoto em Lisboa o rei de Portugal Dom José I e o seu ministro Marquês de Pombal usaram blocos de montagem para reconstruir os prédios com uma arquitetura rápida. A mesma técnica foi usada aqui quando aconteceu o boom da produção de algodão no estado. Houve a necessidade de construir o casario para moradia e fins comerciais”, explicou Kátia Bogea.

A superintendente eleva a construção do prédio em uma de 1.600 m2 como uma obra de grande magnitude para a época porque não havia guindastes e outras facilidades que pudessem ajudar na construção. “O sistema construtivo contemporâneo deve guardar esta obra como um exemplo até mesmo de soluções arquitetônicas adequadas ao clima”, disse Kátia Bogea.  Para fazer a restauração do imóvel, o Iphan realizou um levantamento cadastral da estrutura física e da parte arquitetônica e o desenho e mapeamento de cada peça do palacete. “Após esse levantamento chegamos a um diagnóstico que mostrava a instabilidade na varanda e no corredor. Na varanda o esteio apodreceu por conta da umidade causada pelas chuvas e de ataques de cupins e a estrutura de apoio cedeu em 21 centímetros. Estamos recompondo todo o material do prédio”, informou Stela Brito, explicando que será elaborado pelo Iphan uma proposta de uso do prédio como a Casa do Patrimônio à Prefeitura de São Luís ao qual é proprietária do imóvel.

A falta de mão-de-obra qualificada foi outro empecilho encontrado. Para a realização foram contratados operários e carpinteiros de Alcântara que já trabalharam em outras edificações tombadas pelo Iphan. Foram chamados também profissionais e consultores do Iphan de várias partes do país.

O tapume que cerca a obra traz informações com fotos antigas do prédio e o porque de sua restauração. Durante os trabalhos foram descobertas oito camadas de tintas no hall de entrada. Um estudo definirá a cor original. Em restauração há quatro meses a previsão de entrega desta primeira etapa é em um ano e seis meses.

O Iphan está fechando um convênio de R$ 250 mil com a Prefeitura de São Luís para que ela conclua o projeto de finalização. Segundo Kátia Bogea, o Palacete da Rua Formosa deve estar completamente restaurado em 2012 e a proposta do Iphan é que no local funcione a Casa do Patrimônio, uma espécie de espaço cultural aberto público. “Seria um pelo presente para a população pela comemoração dos 400 anos de São Luís”.

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