O título de Atenas Brasileira surgiu provavelmente fora do Maranhão em referência a uma geração de intelectuais muito importantes formada por, entre outros, Gonçalves Dias (* 1823/ + 1864), João Francisco Lisboa (* 1812/ + 1863), Sotero dos Reis (* 1800/ + 1871), Gomes de Sousa (* 1829/ + 1863), Sousândrade (* 1833/ _ 1902), Joaquim Serra (* 1838/ + 1888), Gentil Braga (*1835/ + 1876).
Uma geração posterior, da qual faziam parte os irmãos Arthur e Aluísio Azevedo, reforçaram a manutenção do título.
De tão importante, cinco maranhenses da geração de Gonçalves Dias são patronos da Academia Brasileira de Letras (ABL); e outros cinco, entre eles os irmãos Azevedo são fundadores da academia. “Fato curioso é que nenhum dos cinco maranhenses fundadores [da ABL] indicou outro maranhense como patrono”, instiga o escritor Jomar Moraes, membro efetivo da Academia Maranhense de Letras.
Todo academia é composta de 40 membros, na ABL cinco maranhenses são fundadores: Coelho Neto, Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo, Raimundo Corrêa e Graça Aranha. Patronos maranhenses são cinco: Gonçalves Dias, Francisco Lisboa, Adelino Fontoura, Joaquim Serra e Teófilo Dias. Patrono é o protetor da cadeira, símbolo da cadeira e é patrono quem já morreu. Quem funda indica um patrono. Mas dos cinco maranhenses que fundaram a academia nenhum deles indicou um patrono maranhense.
Sem entusiasmado com o título“O Maranhão é o Maranhão, terra de um glorioso passado, terra que tem produzido belos talentos, terra de grande sociabilidade, e onde o espírito de iniciativa é incontestável: para que esse título de Atenas? Lembrança exótica de um hilariante Tartarin.
O senhor Albuquerque de Melo atira-me uma das mais graves injúrias com que se pode magoar um homem de bem: chama-me ingrato. É preciso notar que não estou preso ao Maranhão pelo reconhecimento de qualquer espécie de benefício; mas nenhum maranhense poderá amá-lo mais do que amo; nenhum, que de lá se ausentasse, tem as saudades que eu tenho.
É por amar o meu berço que protesto contra essa classificação que, longe de o engrandecer, o torna ridículo. É preciso não amar com desvario, mas com bom senso, e não encampar por fraqueza de caráter, todas as toleimas de que nos queiram torna cúmplices.
Sou um homem simples, a cujo espírito repugnam todos os excessos da imaginação. Assim como não perdoaria o indivíduo que adentrando a minha casa, me dissesse: – “você mora em um palácio!’ – também não perdoo a quem me venha dizer que sou filho da Atenas Brasileira.
Essa frase sempre me pareceu um motejo atirado a minha saudosa terra, tão digna de admiração e respeito. Não é preciso que eu me arvore em ateniense para estimar e amar a cidade ilustre em que tive a honra de nascer e onde quisera morrer”.
Fonte: Arthur Azevedo e sua época. De R. Magalhães Júnior, 5ªEd, pag. 24