O berço francês
São Luís foi o nome dado a Ilha Grande do Maranhão pelos franceses, mas há uma série de questões sobre se houve de fato uma fundação francesa

Cássio Bezerra

Publicação: 07/09/2011 10:52


Desde a primeira metade do século XVI, franceses já chegavam ao Maranhão. Há relatos de 1530, de que "franceses vindos do Maranhão" foram vistos no interior do Ceará. Os portugueses demoram a chegar, em tese, porque não obtiveram sucesso na navegação pelo litoral maranhense. Em 1535, quando a frota do Ayres da Cunha, filho do donatário João de Barros, não conseguiu chegar em terra, os sobreviventes pegaram carona em embarcações francesas. O mar do Maranhão era rota de navegação dos franceses que buscava o Amazonas e no último quartel do século, eles começaram a se fixar na Ilha Grande, já como moradia definitiva, e não para a simples comercialização.

O bairro mais antigo

Antes da virada do século, os franceses já estavam fixados e com fortalezas em vários locais da Ilha. Criaram também uma povoação no Vinhais. "As pessoas dizem que o Vinhais é o bairro mais antigo do Maranhão. Isso é verdade, porque ali existiam uma povoação indígena que depois recebeu os franceses. Então ali foi a primeira povoação europeia no Brasil Setentrional", disse Antonio Noberto, pesquisador e membro do comité diretor da Aliança Francesa. O Vinhais, ou Miganville, como chamava o europeu, foi a única povoação durante muito tempo entre o Rio Grande do Norte, onde havia o Forte dos Reis Magos, e o Maranhão.

Quando os franceses chegaram para a fundação de São Luís, em 12 embarcações, já estavam aqui outras cinco. Entre 300 a 400 franceses residiam na Ilha Grande em apenas um núcleo urbano, como uma fortaleza, que ficava onde hoje seriam os fundos do conjunto Basa (no São Francisco), onde ficava o Forte de Sardinha.

Após Batalha de Guaxenduba, os franceses ficaram humilhados, porque além de maior contingente, tinham também mais tecnologia. No entanto, o talento português para a
Passado um ano após a batalha, foram enviados emissários para a Europa. Deu-se um armistício enquanto as coroas decidiam o que fazer. Mas o tempo passou e a França abandonou o projeto equinocial. Passado mais um tempo e já com Gaspar de Sousa a frente dos portugueses, o general Alexandre Moura foi enviado para ocupar o Forte de Sardinha onde os franceses ainda permaneciam. O nome do forte mudou para Forte do São Francisco, que deu nome ao bairro.

PALAVRA DO ESPECIALISTA

"Eu defendo a fundação francesa por vários motivos. Primeiro porque você tem que se questionar: como é que eram as fundações no Brasil colonial? Todas muito incipientes, muito frágeis e o grande equívoco é que não existe comparação. Como eram as fundações no resto do Brasil. Elas eram feitas em quatro bases: primeiro a alteração do espaço físico natural; depois a presença de um governo; delimitação territorial e por fim a existência de um local de ajuntamento cívico militar, a praça. Tendo isso aí que era o núcleo urbano já se tinha o começo da cidade. Não era a qualidade da construção, se era em taipa ou em pedra. Outra, na maioria das cidades da época, não existia câmara municipal, intendências (prefeitura), isso eram coisas mais adiantadas que vieram anos depois".

Antonio Noberto
Pesquisador, escritor, turismólogo, membro do Conselho Diretor da Aliança Francesa


Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Nome:

E-mail:

Comentário:

Caracteres: 300

Verificação de segurança:
Digite os caracteres acima para enviar


Ao submeter o comentário você afirma que leu e concorda com os termos de compromisso.

Compartilhe
| Mais

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.

Blogs