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FRAUDE » Após visita a cartório, polícia constata falsificação de registros de imóveis apreendidos na casa de Júnior Mojó

Sandra Viana

Publicação: 02/11/2011 09:10

Delegado Sebastião Uchôa mostra parte dos documentação apreendida na casa do vereador Júnior Mojó, onde foram identificados as documentações fraudulentas (Honório Moreira)
Delegado Sebastião Uchôa mostra parte dos documentação apreendida na casa do vereador Júnior Mojó, onde foram identificados as documentações fraudulentas
Documentos do cartório de São José de Ribamar foram falsificados para fraudar escrituras de imóveis. A fraude foi confirmada pelo delegado Carlos Alberto Damasceno, que investiga o caso envolvendo o corretor Elias Orlando Nunes Junior e o vereador de Paço do Lumiar, Edson Arouche Junior, o 'Junior Mojó'. Os dois foram indiciados por participação no assassinato do empresário Marggion Lanyere Andrade, encontrado morto dia 15 de outubro. Marggion denunciou o que, após, a polícia descobriu se tratar de um esquema de compra e venda ilegal de imóveis no bairro Araçagi. Segundo a polícia, a fraude ocorria desde 1978. Um mandado de prisão preventiva contra Elias e o vereador foi pedido na justiça, mas ainda não concedido.
A polícia esteve no cartório e constatou serem falsificados registros de imóveis, escrituras públicas, procurações e recolhimentos de tributos a exemplo do Imposto de Transmissão de Bens e Imóveis Intervivos (ITBII). Neste último, o documento fraudado no valor de R$ 100 mil faz referência ao imposto que deveria ser recolhido pela prefeitura de Raposa a partir da negociação de um imóvel no valor de R$ 4 milhões. Falsificado o pagamento documento de quitação do imposto, o grupo conseguiu tirar o registro e fazer a escritura sonegando o valor devido à prefeitura. "Assim eles vinham fazendo com outros imóveis e sonegando os impostos a esta e outras prefeituras", explica o delegado Carlos Damasceno.
Segundo o delegado, há envolvimento de fraudes cometidas com documentação de cartório em São José de Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar e Vitória do Mearim. Na segunda-feira o delegado viaja a Vitória do Mearim para fiscalizar o cartório. Foram encontrados registros e escrituras datados da década de 80 com a marca do referido cartório. Como o registro deve ser feito no local de compra do imóvel, a quadrilha se aproveitava da facilidade em produzir a escritura, esta, podendo ser tirada em qualquer cartório. "Eles tiravam este documento em municípios distantes do local da compra para evitar suspeitas", disse Carlos Damasceno. Cartórios em Raposa e Paço do Lumiar também serão vistoriados.

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