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Cineasta de 'Flores raras', Bruno Barreto aposta no sucesso de 'Crô - O filme'

Publicação: 28/11/2013 20:01

O cineasta Bruno Barreto anda com um olho no gato e outro no peixe. Ou melhor, com um olho nos Estados Unidos e outro no Brasil. Ao mesmo tempo em que está apresentando ao mercado norte-americano 'Flores raras', que conta a história de amor entre a poeta Elisabeth Bishop e a arquiteta Lota de Macedo, ele está lançando 'Crô – O filme', que resgata o personagem Crodoaldo Valério, criado por Aguinaldo Silva para a novela 'Fina estampa'. “São produções completamente diferentes. Uma é comédia; outra, filme de arte. Mas ambas têm a questão da sexualidade forte, apesar de não ser o foco principal. O 'Flores raras' é história de amor que, por acaso é de um casal homossexual, enquanto 'Crô' fala do poder e da submissão de forma engraçada”, explica.

Até no aspecto de público e de bilheteria os longas-metragens devem ter desempenhos distintos. O drama protagonizado por Glória Pires e Miranda Otto chegou a apenas 280 mil espectadores no Brasil. Para Barreto, o grande problema foi na distribuição e na produção, que considerou o filme elitista. “Para você ter uma ideia, ele foi lançado em 12 cinemas na Avenida Paulista, em São Paulo, e no Rio ficou em seis, só em Botafogo, por exemplo, enquanto Madureira ou mesmo cidades de porte médio como Goiânia, Ribeirão Preto ou Londrina não receberam nenhuma cópia. Teve chamada na TV Globo, matéria no Fantástico, mas as pessoas não tinham um cinema perto para ir”, lamenta.

O diretor não considera o público baixo e acha que essa faixa de 280 mil, 300 mil pessoas se encaixa bem para uma produção de arte como 'Flores raras'. “Filmes do Almodóvar ou do Woody Allen alcançam isso também. Então, não considero um fracasso. Acho que se ele tivesse sido mais distribuído, íamos fazer mais uns 100 mil no máximo. Esse é o perfil do filme de arte no Brasil”, acrescenta. Outro ponto, segundo Bruno Barreto, foi o preconceito, pois muita gente rotulou a produção, já que aborda o relacionamento entre duas mulheres. “O Brasil ainda é um país muito conservador. Em Petrópolis, onde inclusive rodamos algumas cenas, a cópia chegou, mas estranhamente não foi exibida. Tenho conhecidos e amigos que não permitiram que suas esposas fossem assistir. É surreal, mas teve casos assim”, comenta.

Ícone norte-americano
Porém, na terra do Tio Sam, as coisas parecem mais favoráveis. 'Flores raras' estreou no dia 8 em Nova York e tem tido boa repercussão de público e de crítica. E a bilheteria tem crescido a cada semana. Amanhã, será a vez de Los Angeles, onde vai entrar em quatro salas, como a importante Royal. Sem falar em outras cidades dos EUA, como São Francisco, Boston e Chicago.

“O boca a boca tem sido muito bom. E o fato de o filme ser praticamente falado em inglês e retratar um ícone da cultura norte-americana, Elizabeth Bishop, favorece também. Tenho percebido que não o veem como filme estrangeiro e ainda ficam impressionados em descobrir aspectos desconhecidos da própria cultura”, reflete.

'Flores raras' também colheu louros em festivais internacionais, como o de Berlim, onde ganhou prêmio de público; o The Outfest Festival, em Los Angeles, em que foi eleito o melhor drama, e no Framelime, em São Francisco, onde também conquistou o longa preferido dos espectadores. “Antes mesmo de ele chegar nos Estados Unidos, já estava sendo bem recebido em vários países. Mas os lançamentos na Europa e outros locais serão depois daqui. Começam pelos EUA e são irradiados para o resto do mundo. Quando o filme vai bem em território norte-americano, facilita bastante”, revela.

Comédias

Já com relação a 'Crô- O filme', que estreia amanhã, o diretor afirma não ter bola de cristal para prever como será o desempenho da produção, mas que tem boas perspectivas com relação a essa comédia. Não só devido ao sucesso do personagem, mas no grande número de visualizaçaões do trailer em redes sociais e no Youtube.

“Crodoaldo ficou no inconsciente coletivo das pessoas. É muito querido por todas as classes sociais e idades. E comédia é algo que atrai também, apesar de não ser um gênero fácil de fazer. É muito ardiloso, mas adoro, tanto que meu filme de maior sucesso é uma comédia, Dona Flor e seus dois maridos. Gosto muito desse estilo e já estou pensando no meu próximo projeto nesse sentido, uma produção ao lado do Leandro Hassum”, adianta.

Em 2014, Bruno Barreto deve lançar outra produção protagonizada por Marcelo Serrado, a cinebiografia do pianista João Carlos Martins.
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