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CONJUNTURA » Metro quadrado da construção civil sobe 10,25% em um ano
Custos da construção civil no Maranhão atingiram 10,25% de alta. Mão de obra e frete são apontados como vilões

Publicação: 11/10/2011 16:08 Atualização: 11/10/2011 17:11

Roberval Garcia assegurou que os materiais de construção subiram pouco (GILSON TEIXEIRA)
Roberval Garcia assegurou que os materiais de construção subiram pouco
O preço do metro quadrado construído aqui no Maranhão subiu 10,25% nos últimos 12 meses. O estado é o único da federação cujo índice de aumento dos custos da construção civil subiu acima dos 10% e continua sendo o maior do Nordeste. Os dados são do Sistema Nacional de Pesquisa de Custo e Índices da Construção Civil (Sinapi), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês de setembro a construção do metro quadrado teve orçamento médio no Maranhão de R$ 813,14, quando a média da região Nordeste foi de R$ 757,43, e a nacional, de R$ 802,66, ou seja, uma diferença de 7,3% e 1,3%, respectivamente.

O estado é nono colocado no ranking dos mais caros na construção civil, ficando atrás de Rio de Janeiro (R$ 900,38), São Paulo (R$ 881,16), Acre (R$ 876,53), Roraima (R$ 852,54), Amazonas (R$ 845,78), Distrito Federal (R$ 840,61), Rondônia (R$ 827,16) e Paraná (R$ 815,74).

Vários são os fatores para que este índice local atinja patamares de estados bem mais desenvolvidos, como Rio de Janeiro, São Paulo. Os principais são: a distância dos grandes centros que produzem os materiais (acabamento) – fretes mais caros -, a ausência de frete de retorno – por conta da falta de indústrias para produção e exportação – e ainda, a falta de mão de obra.

Este último é um dos pontos cruciais, segundo o presidente do Sindicatos das Indústrias de Construção Civil do Estado do Maranhão (Sinduscon-MA), João Mota. De acordo com ele, este quadro só deverá se reverter após o início das operações da Refinaria Premium, da Petrobras, que deverá justificar o frete de retorno e liberar os operários da construção para o mercado.

“O que acontece é que o a mão de obra tem diminuído no estado e nós não temos o frete de retorno. Somos fim de linha. Acho que o preço do metro quadrado pode no máximo se estabilizar. Essa situação só mudará quando a refinaria (Premium) estiver operando, para termos o frete de retorno”, disse João Mota.

Impacto

Com o Maranhão figurando sempre entre os estados com o preço por metro quadrado mais caros do país, programas do Governo Federal, como o Minha Casa, Minha Vida são atingidos com o aumento de custos.

Para o secretário de Estado das Cidades, Pedro Fernandes, esse impacto é imediato, inclusive com a super valorização que os terrenos da capital maranhense têm sofrido nos últimos anos. Mas ele aponta uma solução viável para o problema.

“O impacto desse aumento é imediato. Um fato que não podemos esquecer é que o preço dos terrenos subiu muito em São Luís. Nós também não somos auto-suficientes na produção de cimento. Somente os tijolos e telhas são daqui. A solução que vejo é o funcionamento da Votorantim na produção de cimento aqui, a abertura de mais áreas urbanas para a construção e a utilização do gás de Capinzal do Norte para um parque cerâmico em nosso estado”, disse.

Segundo Fernandes, as potencialidades do estado para fornecimento de gás natural são extremamente propícias e atraentes para a vinda de indústrias para o estado, o que geraria mais empregos e a produção de materiais e diminuiria os custos com o frete.

Ele ainda apontou uma falha: a maior utilização das rodovias, em detrimento do grande porto do Itaqui e das ferrovias.“Aqui é fim de linha, e o frete dos materiais são feitos via rodovias. Não há retorno. Esse transporte deveria ser feito via trem ou navio”, criticou.


Os empresários do setor apontam o custo do frete de alguns insumos, como cimento(foto), como um dos fatores para justificam a alta (Neidson Moreira/O IMP/DAPRESS )
Os empresários do setor apontam o custo do frete de alguns insumos, como cimento(foto), como um dos fatores para justificam a alta

Mão de obra

Os empresários do setor de material de construção apontam a mão de obra, ou melhor, a falta de mão de obra qualificada como um dos principais fatores para justificar o aumento do índice.

A empresaria Eloina Pina, dona de uma loja da material de construção na areinha, disse que os materiais de construção quase não foram reajustados em setembro. “Os preços dos materiais nem têm aumentado. Acho que o preço da mão de obra é que pode estar influenciando na alta do custo do metro quadrado por aqui. Isso faz com que as pessoas deixem de construir”, comentou.

Outro empresário, Roberval Garcia, proprietário de um depósito de materiais, no bairro Camboa, também analisa que o preço da mão obra tem feito a diferença. “A gente não tem hoje é operário, pedreiro, carpinteiro. Com a falta dos operários, fica tudo mais caro. Os preços do tijolo, areia, pedra brita, ferro, não têm aumentado não. A falta de mão de obra é que está influenciando”, disse.

 

 (google.com.br/divulgação)
PALAVRA DO ESPECIALISTA – Zeca Belo, presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Pesada (Sincopen-MA)

“O preço do metro quadrado aqui no Maranhão é mais caro por causa do frete rodoviário. A maioria desses materiais vem de São Paulo. Isso acontece também porque o mercado imobiliário está muito aquecido. A mão de obra está indo toda para a construção da refinaria, então fica mais cara e aumenta os custos. O Maranhão não tem indústrias e tem que importar o material de construção. Temos apenas 190 indústrias, a maioria micro empresas. As maiores são Alumar e Vale. As jazidas daqui ainda foram fechadas e deixou a areia, por exemplo, muito mais cara”.  


Custo Construção Civil
O preço do metro quadrado construído é um dos mais caros no maranhão cresceu bem acima da média nacional e hoje é o mais caro do Nordeste e o 7° maior do país

Rio de Janeiro    R$ 900,38
São Paulo    R$ 881,16
Acre    R$ 876,53
Roraima    R$ 852,54
Amazonas    R$ 845,78
Distrito Federal    R$ 840,61
Rondônia    R$ 827,16
Paraná    R$ 815,74
Maranhão    R$ 813,14

10,25% é a alta do custo da construção civil acumulada nos últimos 12 meses no Maranhão. Este é o maior índice de reajuste do país para o período



 

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