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Sistema carcerário » Quase 10 presos morrem em três meses no MA
Com a morte do detento Josué Salazar, nesta sexta, sobe para 28 o número de presos mortos no Maranhão. A média de assassinatos é de 9,33 mortes por mês.

Publicação: 25/02/2011 13:23

Michelle Almeida

Detentos foram decapitados em Pinheiro. (REPRODUÇÃO)
Detentos foram decapitados em Pinheiro.

O detento Josué Salazar de Sousa foi morto na madrugada desta sexta-feira, 25, por volta das 3h. Ele era um dos sete presos que ocupavam a cela némero 5 do pavilhão J da Casa de Detenção (CADET), no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

O acusado de assassinar Josué foi identificado como Atntônio Francisco da Silva. O motivo do crime seria uma desavença entre os dois que aconteceu no último domingo, quando chegaram a brigar. Nesta madrugada, Antônio esperou Josué dormir para cometer o homicídio. Ele teria dado um único golpe de chuço no peito esquerdo. A vítima não resistiu ao ferimento e morreu no local.

Clique e veja fotos da rebelião em Pinheiro

Com a morte de Josué sobe para 28 o número de detentos assassinados dentro do sistema carcerário do Maranhão em apenas três meses. Dentre os 28 presos mortos, 25 foram em rebeliões e três em casos isolados. O percentual é 9,33 detentos por mês, ou seja, quase 10 presos foram mortos em apenas três meses no Maranhão.

O que chama mais a atenção, é que todos os homicídios foram cometidos pelos próprios presos. Uns alegam que a causa das rebeliões são por falta de estrutura do sistema penitenciário do estado e outros por confrontos entre detentos da capital e do interior.

Rebeliões

Em 9 de novembro de 2010, o Maranhão registrou a rebelião mais sangrenta do estado. 18 presos foram mortos, sendo que cinco decapitados. A rebelião ocorreu no prédio do anexo Presídio São Luís, que faz parte do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, e ganhou repercussão nacional devido tamanha barbárie. O motim que durou mais de 24h também e deixou um monitor baleado. Sete pessoas foram feitas de reféns.

Em 7 de fevereiro de 2011, menos de três meses, outra rebelião estourou no estado trazendo à tona a crise no sistema carcerário maranhense. Detentos da Delegacia Regional de Pinheiro, a 86 quilômetros de São Luís, realizaram um motim que resultou na morte de sete presos, destes, quatro foram decapitados.

Entre os decapitados em Pinheiro está José Agostinho Bispo, que ficou conhecido como o “Monstro de Pinheiro”, por ter gerado oito crianças de relação incestuosa com a própria filha. Esta que foi mantida em cárcere privado por aproximadamente 16 anos. Uma tentativa de fuga frustrada a superlotação da carceragem, que tem capacidade para apenas 38 presos, seriam as razões do motim.


Passados dois dias, 41 detentos foram transferidos da Regional para a Central de Custodia de Presos de Justiça (CCPJ), localizado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Entre os transferidos, José Ramiro, de 18 anos, considerado como um dos líderes da rebelião em Pinheiro. Ramiro afirmou, em depoimento a um juiz que responde por comarca da Baixada e uma advogada, que ordem para degola em Pinheiro saiu da CCPJ de Pedrinhas.

Ramiro disse ter recebido a ordem da decapitação de Moisés Magno Soares Rodrigues, o "Sadam", que juntamente com mais outros cinco detentos, foram transferidos no dia 23 de fevereiro da CCPJ de Pedrinhas para Quartel da Polícia Militar, localizado no bairro do Calhau, em São Luís.  De acordo com informações da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) os presos foram retirados do presídio para evitar um confronto entre facções rivais, que seriam de presos da capital contra os do interior.

Casos isolados

Josué Salazar de Sousa foi morto durante a madrugada desta sexta-feira, 25 no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Segundo informações da assessoria da SSP-MA, Josué Salazar de Sousa foi assassinado com um golpe de chuço.

Josué estava preso na Casa de Detenção (Cadet) desde 2008 onde cumpria pena pelo crime de homicídio. Ele era natural da cidade de Coroatá.

Em 20 de fevereiro, Egilson Mendonça Araújo, de 24 anos, que era detento da Penitenciária de Pedrinhas, foi morto por enforcamento dentro do presídio. Egilson cumpria pena por assalto.   

No dia 18 de fevereiro, um preso da CCPJ do Anil, antiga Cerec, matou o companheiro de cela, durante a madrugada. Newton Carlos Moraes Silva, de 28 anos, o “Sapiringa”, confessou em depoimento prestado ao delegado Pedro Adriano Moreira Mendes, do 6ºDP, na Cohab, que assassinou Antonio Ismael da Conceição, de 30, com vários golpes de chuço. De acordo com o depoimento de Newton, o motivo do crime seria porque Antônio estaria o obrigando a comer sal com água sanitária e ainda estaria o agredindo com uma garrafa de plástico cheia d’água há um tempo.

 

Confira os nomes dos detentos mortos nos últimos três meses:

Rebelião de Pedrinhas

Cleiton Costa Soares, o “Quequé” – Decapitado

Reris Ângelo Santos Silva, o “Panzo” – Decapitado

Izaquiel Barbosa de Miranda – Decapitado
Eromar de Sousa Ferreira
Francisco Welington Pinto da Silva, o “Cagão”
José Ribamar dos Anjos Filho, o “Dragão”
Milson Silva Carvalho, o “Spike”
José Antônio Ribeiro, o “Bigode”
José de Ribamar Nascimento Sousa, o “Coração de Leão”
Getúlio Vieira da Conceição Filho, o “Pará”
Raimundo Nonato Sousa Lima, o “Guri”
José Francisco de Sousa, o “Chiquinho”
Romuel Antônio Sousa Santos, o “Bruce Lee”
Eriedeson de Jesus Santos, o “Gaguinho”
Ramon dos Santos Cruz
Marco Antônio Nascimento de Jesus
Joabson Soares França

Rebelião de Pinheiro

Alexsandro de Jesus Costa Pereira
José Ivaldo Brito
Jorge Luís de Sousa Moraes
Raimundo Nonato Soares Mendes
Paulo Sérgio Cunha Pavão  
José Agostinho Bispo – Decapitado
José Raimundo Pereira, o "Coelho"

Casos isolados

Newton Carlos Moraes Silva – CCPJ Anil
Egilson Mendonça Araújo – CCPJ Pedrinhas

Josué Salazar de Sousa – CCPJ Pedrinhas

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