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ZONA RURAL » Macaxeira para todo gosto
De hoje até o próximo domingo, o Gapara deve receber mais de 15 mil pessoas no festival que traz uma diversidade de receitas com a raiz. Tem até iogurte e churrasquinho

Sandra Viana

Publicação: 08/07/2011 08:47

Barracas em fase de finalização para o festival que começa hoje. Todas são obrigadas a oferecer pelo menos um prato que tenha como ingrediente a estrela da festa (Thiago veloso/O IMP/D.A PRESS)
Barracas em fase de finalização para o festival que começa hoje. Todas são obrigadas a oferecer pelo menos um prato que tenha como ingrediente a estrela da festa
Macaxeira frita, cozida, assada, feito caldo, creme, churrasquinho e até iogurte. Esta raiz é a atração e o prato principal do tradicional Festival da Macaxeira, no Gapara, evento que está completando 15 anos. De hoje até domingo, quem quiser pode saborear 22 receitas feitas com a macaxeira e curtir a programação do evento que inclui música ao vivo, concurso e desfile. A organização do evento espera cerca de 15 mil pessoas na festa. Na tarde de ontem, membros da Associação de Moradores do bairro estiveram reunidos com a Polícia Militar para traçar os pormenores quanto à segurança. Serão 160 homens da militar e, pela primeira vez, o Grupo Tático Aéreo (GTA) estará no reforço.


Segundo os organizadores, nestes anos de evento nunca houve ocorrência que impedisse a realização do festival. A pré-abertura da festa foi no último dia 5, com culto e missa em agradecimento ao sucesso que o evento se tornou. O Festival da Macaxeira envolve toda a comunidade de Argola e Tambor, grupo quilombola que criou o evento. Dos participantes, 70% são da localidade.


Na Cidade Nova, bairro Gapara, onde acontece a festa, o espaço está quase pronto. Serão 42 barracas com bebidas e pratos diversos, priorizando o ‘personagem’ da festa: a macaxeira. Aliás, oferecer ao menos uma receita contendo a macaxeira é uma exigência da organização do evento aos candidatos a barraqueiros. Todas as barracas são padronizadas. A cobertura de palhinha lembra os festejos juninos, já encerrados. Os barraqueiros já fazem as contas do lucro que terão este ano com o comércio dos produtos. Enquanto o espaço é preparado, os donos das barracas se ocupam das comidas. A maior parte dos pratos é preparada um dia antes do evento para garantir o abastecimento das barracas. Vários tipos de comidas ‘disputam’ com a macaxeira, mas, neste dias de festejo, os participantes querem mesmo é provar receitas à base da estrela da festa. Ao som da seresta e do forró, eles pretendem atrair pessoas de todos os bairros, além dos turistas que, segundo os organizadores, também comparecem ao evento.


Por festa são consumidas duas toneladas de macaxeira. Destas, apenas 200kg são produzidos na comunidade quilombola. O restante vem de bairros adjacentes, mas nunca falta: todo ano tem macaxeira para abastecer a festa. Na programação deste ano, o já esperado concurso para escolha da maior macaxeira da festa. Ano passado, o vencedor foi um agricultor do bairro Raposa, que apareceu com um espécime de uma tonelada. Este ano, um morador de Santa Inês entrou em contato com a organização e garantiu possuir a macaxeira vencedora do prêmio. É esperar para ver. Ainda na programação há desfile para escolha da Garota da Macaxeira, sendo premiada a melhor caracterizada; concurso das barracas típicas mais criativas; torneio de futebol; e desfile de carroças ornamentadas. Uma vasta e divertida programação para curtir com a família e saborear as delícias feitas com a macaxeira. O festejo acontece das 18h às 2h da manhã, na sexta e sábado; e no domingo, das 12h à meia noite.

Finalidade social

Para os realizadores, o festejo é, sobretudo, a oportunidade de chamar as autoridades e população em geral para questões que afligem os quilombolas daquela área. Todo ano, uma comissão de moradores aproveita o apelo da festa e se organiza para cobrar medidas do poder público. Por causa do festejo foram conseguidas melhorias como asfalto, que até ano passado não havia no bairro; e, ainda em execução, o serviço de Tapa Buracos. A segurança é outro item que melhorou na região tendo diminuído o número de ocorrência de assaltos e pequenos furtos, garantem os moradores, que agora contam com o serviço de ronda da Polícia Militar.
A comunidade e a festa foram até tema de monografia de alunos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A geração de renda à comunidade local é outro ganho trazido pela festa. Em média, os barraqueiros lucram até R$ 700 com a venda dos produtos neste período. Eles esperam que um dia o festejo seja mais reconhecido e incluído no calendário de festas do estado.


Início da festa

O festival teve início pelas mãos de Maria Madalena Cabral, 46 anos. Foi dela a primeira barraca da festa. Hoje, participa apenas como brincante. Àquela época, todos os moradores da comunidade quilombola Argola e Tambor, onde vivem cerca de 20 famílias. Cada família possuía uma plantação de macaxeira em seu quintal. Para aproveitar o produto criaram a primeira barraca chamada Barraca da Macaxeira e todo dia 5 de julho realizavam um pequeno evento. O festejo cresceu, e após um ano, nasceu o bairro que leva o nome do grupo quilombola. À época, o festejo acontecia durante uma semana inteira. Devido a questões de patrocínio, a festa passou a ser realizada em três dias, tendo como ponto alto o segundo domingo de julho. Até ano passado havia um ‘bis’ da festa com o Lava Macaxeira.

PERSONAGEM DA NOTÍCIA

A mulher da macaxeira

‘Lá vem a mulher do pau de macaxeira’. Assim gritavam e gritam quando se aproxima a dona de casa Maria Olinda Pereira. Ela é coordenadora da Festa da Macaxeira e membro da União de Moradores. É ela quem resolve as questões burocráticas e que incentiva a participação popular no evento. Nos dias que antecedem a festa Maria Olinda não para. Ela fica entre os preparativos e a organização da barraca que mantém. As comidas, diz ela, precisou pagar para serem feitas. “Senão não ficava pronto a tempo”, ressalta. Com o crescimento da festa ela diz que precisou ‘terceirizar’ alguns serviços. São dela também algumas receitas que viraram xodó do festejo, como o churrasquinho e o iogurte de macaxeira. Maria Olinda diz que o período festivo traz renda e alegria à comunidade. “Acredito que é neste momento que somos vistos. Que somos lembrados e que temos importância. É um momento muito importante”, reafirma. Pioneira em muitas coisas, foi a ‘fundadora’, primeira moradora e batizou a Rua São Francisco. “Sou devota e não podia deixar de prestar essa homenagem”.

Números
2
Toneladas quantidade de macaxeira consumida
46
Barracas
22
Pratos à base de macaxeira
R$ 700
Lucro de cada barraca nos dia de festa

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