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CHUVAS » Para 2012, a previsão é de mais chuva no Maranhão
Maranhão está entre os estados onde mais choveu no primeiro semestre deste ano. A previsão é de mais ocorrências, segundo a UEMA.

Heloísa Vasconcelos

Publicação: 27/11/2011 09:02

O fim do ano traz à tona o drama vivido pelos moradores do interior do Maranhão durante o período chuvoso. As enchentes nas bacias dos rios Mearim, Itapecuru Tocantins e Parnaíba já deixaram mais de 11 mil desabrigados e desalojados no primeiro semestre deste ano. Com as chuvas se aproximando novamente, o município e o estado se preparam para enfrentar o problema e minimizar as consequências do alagamento no Maranhão.

O Núcleo Geoambiental da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, através do Laboratório de Meteorologia, desenvolveu recentemente uma análise das chuvas ocorridas em outubro de 2011 na região nordeste do Brasil. O Núcleo divulgou a previsão das chuvas para o trimestre dezembro (2011), janeiro e fevereiro (2012). Segundo o Laboratório de Meteorologia, os maiores registros de chuva no mês de outubro estão nos estados do Maranhão, Piauí e Bahia. A previsão das chuvas para o próximo trimestre indica a tendência de chuvas normais e acima da média, no setor norte do nordeste brasileiro. O laboratório divulgou ainda que não está descartada a possibilidade de ocorrência de chuvas de intensidade moderada a forte em áreas da região nordeste do Brasil.

O major Manoel Teixeira, do Departamento de Minimização de Desastres da Defesa Civil, informou que o trabalho do estado é de apoio aos municípios, e que já foi desenvolvido um planejamento para esse período. “O trabalho de minimização dos desastres é primeiramente de cada município, e o nosso trabalho é de complementação”, explicou o major. Ele informou também que em janeiro deste ano foi criado o Comitê de Prevenção e Assistência às Populações Vítimas das Chuvas, para articular a ação dos órgãos e entidades na assistência à população atingida. Manoel Teixeira afirmou que o planejamento desenvolvido recentemente visa garantir a presença do estado em todos os locais. “À medida que surgem necessidades, o estado atua enviando corpo técnico e materiais necessários”, complementou o major.

Áreas de risco
Dentre as cidades mais atingidas pelo período chuvoso, estão Pedreiras, Trizidela do Vale, Bacabal, São Luiz Gonzaga e Igarapé Grande. O coordenador da COMDEC (Coordenação Municipal de Defesa Civil) de Pedreiras, José Martins, afirmou que apesar das chuvas intensas serem esperadas apenas para o próximo ano (entre fevereiro e junho), a prefeitura já implantou um sistema de alerta na região. “Nós temos pessoas da comunidade responsáveis por informar imediatamente a ocorrência de qualquer evento adverso”, explicou. José Martins ressaltou que foi desenvolvido um Plano de Contingência, que distribui diferentes tarefas ao município no trabalho de minimização dos desastres causados pelas chuvas. “Esse plano serve para mostrar quem é quem no sistema. Nós buscamos envolver todos nesse trabalho. Administração, Obras, Defesa Civil e outros”, relatou o coordenador.

Um homem de 45 anos, que não quis se identificar, mora em Trizidela do Vale há 20 anos, mas trabalha em Pedreiras (cidade vizinha). Ele contou que no período chuvoso a cidade fica em estado de calamidade, afetando a rotina de estudo e trabalho. “Quando a cidade alaga, eu tenho que pagar R$ 7 todo dia para atravessar de canoa e chegar no meu trabalho”, relatou o morador de Trizidela. Ele afirmou também que, para receber o auxílio da cesta básica, é preciso comprovar que houve alagamento na casa, e que, apesar disso, muito não recebem o benefício. “No início deste ano minha casa ficou alagada. Apesar de a situação ser visível, não consegui receber a cesta básica”. A equipe de O Imparcial tentou entrar ema contato com as prefeituras de Trizidela do Vale, Bacabal, São Luís Gonzaga e Igarapé Grande para saber sobre as medidas que pretendem tomar no período das chuvas. Após várias tentativas, ninguém atendeu.

Atingidos
No primeiro semestre de 2011, as chuvas deixaram mais de 7 mil desabrigados e mais de 5.500 desalojados no Maranhão. As cheias atingiram 12 cidades maranhenses, das quais quatro decretaram situação de emergência.
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