Em média 230 crianças, de até 14 anos, morrem por ano no Maranhão vítimas de afogamento. Esse número foi divulgado por um levantamento feito pela ONG Criança Segura, a partir de dados do Ministério da Saúde, do ano de 2009. O Maranhão ficou em 10º lugar no ranking nacional, com uma média de 3,67 óbitos a cada cem mil habitantes.
O ranking elaborado pela ONG, lista o número de óbitos de crianças por afogamentos a cada cem mil habitantes do estado. Por essa média, o Amapá lidera o ranking com 14,28 óbitos, mas diante da baixa densidade demográfica, com 587.300 habitantes, pode ser afirmado que no Amapá morrem aproximadamente 84 crianças vítimas de afogamento, por ano.
Apesar de o Amapá liderar o ranking isso não significa o maior número de óbitos infantis por afogamento. O Maranhão, por exemplo, possui maior densidade demográfica, com cerca de 6.300.000 habitantes e, por esse motivo, no Maranhão morrem mais crianças por afogamentos que o primeiro colocado do ranking.
DADOS DA PESQUISA
O afogamento é a segunda causa de morte, entre os acidentes, de crianças e adolescentes até 14 anos no Brasil. Apenas atrás dos acidentes de trânsito, o afogamento representou 28% dos óbitos por acidentes na pesquisa.
O levantamento aponta que no Brasil, o ano de 2009 registrou 1376 mortes por afogamentos. O estudo mostrou que 45% dos óbitos ocorreram em águas naturais somando-se ainda mais 6% relacionados a quedas em águas naturais. A piscina representa o segundo principal perigo. Foi responsável por 7% das mortes - somando a este número quedas em piscinas também. Vale ressaltar que 37% dos afogamentos não tiverem local identificado e 5% foram classificados como outros.
As idades e sexo das crianças vítimas destes acidentes também foram considerados. As mortes com crianças de 10 a 14 anos representaram 36%, com crianças de 1 a 4 anos, 35%, 5 a 9 anos, 26% e 3% no caso das crianças com menos de 1 ano. Os meninos foram vítimas duas vezes mais que as meninas, sendo 67% das mortes por afogamentos com garotos e 33% envolvendo garotas.
A coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia, apontou duas principais causas para os óbitos de crianças por afogamentos: a escassez das áreas de lazer no Brasil e também crianças desacompanhadas que brincam em piscinas, rios e mares. "Geralmente, a criança vai tomar banho em rios, mar ou piscinas, desacompanhada de adultos, sendo acompanhada apenas de outras crianças que não conseguem resgatá-la e acabam morrendo também. E a falta de áreas de lazer para as crianças é um problema também no país. Então sem opção de brincadeiras, elas acabam optando por esses banhos, mesmo sem saber nadar."
Alessandra Françoia falou que esse é um problema público, apesar de o Brasil não possuir nenhuma política voltada para esse segmento. "Em diversos países já existem políticas públicas voltadas para a prevenção de mortes por afogamento, como aulas de natação gratuita, campanhas de prevenção orientando os pais não deixarem suas crianças sozinhas e também aulas de primeiros socorros. Infelizmente no nosso país não existe nenhuma política voltada para a prevenção desses óbitos por afogamento." disse a coordenadora.
"O custo e o impacto social que esses óbitos geram são muito altos. Em 2009, foram gastos R$ 254.787,00 no tratamento e recuperação de crianças sobreviventes, mas os danos são irreparáveis quando as crianças vão a óbito." finalizou Alessandra Françoia.