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| Delegado diz que investigações estão em andamento e autor da fraude das notas não integra equipe da faculdade |
A Superintendência Especial de Investigação Criminal (Seic) prossegue os interrogatórios de estudantes do Uniceuma e afirma que o usuário burlador do sistema de notas não integra a equipe da faculdade. Segundo o delegado,Breno Galdino, a pessoa teve acesso à uma senha do sistema, criou um login de administrador e dessa forma procedia as alterações das notas. "Não é ninguém do setor de controle da instituição, mas alguém que conhecia bem o sistema", afirmou. Além de alunos e funcionários do Uniceuma, pessoas ligadas à empresa que instalou o sistema também serão ouvidos.
Todos os registros de atribuição das notas é controlado pela Secretaria Acadêmica da instituição. O sistema foi posto à disposição da polícia e a mesma continua colhendo informações para conseguir desvendar de que forma o sistema de informática foi alterado, como ocorriam as mudanças das notas e quem seria o mentor da fraude.
Segundo o delegado Galdino, até o momento os interrogatórios são feitos à título de orientação às investigações. Ninguém foi oficialmente apontado como responsável, participante ou suspeito. "O que queremos é desvendar como o esquema foi desenrolado até chegar ao sistema da faculdade", explicou o delegado. As pessoas ouvidas até o momento, cerca de 25 entre alunos e funcionários, negaram qualquer envolvimento ou conhecimento com a fraude.
Os alunos que vêm sendo ouvidos apresentaram adulterações em seus registros de notas sem que houvesse pedido de revisão do fato. Segundo o protocolo do Uniceuma, sempre que há mudança de notas é feita anotação do motivo e o aluno toma conhecimento por meio de documentação que fica registrada no sistema. "Nestes casos que estamos investigando, as notas foram alteradas para mais e não havia qualquer informação explicando a alteração. Por isso, a instituição suspeitou que poderia se tratar de fraude", disse Breno Galdino. Apesar desta constatação, o delegado acredita ser precipitado apontar suspeitos.
De acordo com Galdino, alguns alunos podem ter sido vítimas e usados como álibi. "Se a adulteração fosse feita no histórico de apenas um aluno de determinada sala, despertaria suspeita. O fraudador pode ter envolvido vários alunos para confundir e não focar aquele que era ciente da fraude", disse ele, que explica estar seguindo várias hipóteses. "Temos que ser cautelosos para que, ao apontar os envolvidos façamos com certeza", declarou Galdino. O Uniceuma entregou à Seic uma lista com 240 alunos cujas notas levantaram suspeitas de fraude, a polícia analisa 600 casos de alterações irregulares. Há casos de estudantes com adulterações de notas em mais de três disciplinas e em diferentes períodos. "Para checarmos todos estes registros é demorado. Fato é que já encontramos as irregularidades e nos falta poder comprovar os culpados para indiciamento".
O Uniceuma se posicionou por meio da assessoria e afirmou estar colaborando com a polícia, inclusive pondo o sistema e suas instalações à disposição. Informou ainda não ter identificado nenhum caso de estudante já diplomado que teria sido beneficiado pelo crime. A cassação do diploma é pensada aos que receberam o documento de forma ilícita e a expulsão, àqueles que ainda cursam e participação da adulteração.Os cursos, até o momento, com casos de adulteração, são Medicina, Engenharia de Produção, Medicina, Fisioterapia, Direito e Odontologia, este último, com o maior número de adulterações já registradas.