URBANO

TRANSTORNOS » Drenagem do canal irá por fim as inundações no estacionamento atrás do Tropical Shopping, mas demora na obra causa transtornos

Sandra Viana

Publicação: 05/02/2012 10:21

Mau cheiro e risco de acidentes são alguns dos problemas causados pela obra de construção do canal do Renascença. Em outubro do ano passado, a Prefeitura de São Luís deu início à primeira fase da obra de canalização e drenagem profunda da área localizada entre o estacionamento do canal do Tropical Shopping Center e o jornal O Imparcial, no Renascença. A obra, orçada em R$ 2,3 milhões, pretende solucionar os problemas de alagamentos no local em período chuvoso. A obra passou por limpeza e escavação para preparo da construção do lastro (piso) e recebimento do concreto estrutural. À época, a Semosp garantiu que a obra de drenagem do canal acabaria com os problemas de inundações.


A obra do canal do Tropical Shopping foi dividida em duas células. A primeira compreende o trecho de 147m de extensão com 6m de largura, que vai da ponte (passagem) até a bacia natural; e a segunda é o trecho de 228m com 3,5m de largura, antes da interligação.
O canal terá paredes e lastro de concreto estrutural com toda a cobertura de laje. Durante o ato de assinatura da ordem de serviço para a execução da obra, no dia 28 de agosto, o prefeito João Castelo destacou que o canal seria limpo, saneado, drenado e coberto.


A obra do canal do Renascença é parte da segunda fase do Programa de Recuperação Ambiental e Melhoria da Qualidade de Vida da Bacia do Bacanga (Programa Bacanga), referente ao componente dois, que trata de melhorias de água e saneamento. O canal do Caratatiua também integra a obra e foi totalmente coberto. Outras obras são os canais do Coroado, Mercado

Central/Portinho, rio Gangan, no Turu, Cohatrac/Cohab e avenida Cônego Tavares, no Anil. Hoje se vê uma via e a área foi urbanizada e revitalizada com a construção. As obras, financiadas pelo Banco Mundial (Bird), estão orçadas em mais de R$ 19 milhões.

Envolvidos se posicionam

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), que, por meio da assessoria confirmou que o canal permanecerá aberto. De acordo com a nota enviada, a Semosp explica que parte da obra em construção na área de estacionamento do Tropical Shopping está na fase de conclusão. É a etapa em que foi feita a limpeza, concretação, escavação do canal e instalação das ferragens de sustentação.
A nota da secretaria esclarece ainda que o referido canal tem como objetivo o escoamento da água pluvial (das chuvas) e que não há cobertura porque a Prefeitura de São Luís está seguindo uma orientação do Ministério das Cidades. Segundo esta determinação, é proibida a construção de canais pluviais fechados em áreas urbanas.


A nota diz ainda ressalta também que se trata de água da chuva e não de esgoto, o que é despejado no canal. No entanto, a reportagem observou que a água que ali circula é de cor escura, apresenta formação de lodo e mau cheiro. Pessoas que atravessavam o local no momento reclamaram do mau cheiro. A Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema) também foi procurada e, por meio de nota informou que a etapa da obra cuja responsabilidade competia à empresa foi concluída, sem explicar quais seriam essas atribuições. A nota diz ainda que a reclamação em questão, quanto ao fechamento do canal, cabe ser resolvida pela Semosp, que é a responsável pela obra.

‘Vizinhos’ do canal são contra Semosp


Os prejudicados diretamente com a permanência da abertura do canal do Renascença são o jornal O Imparcial e o Tropical Shopping. O canal está construído nos fundos destes estabelecimentos e onde também funciona o estacionamento do shopping. Quem costuma transitar por ali já reclama do mau cheiro e faz malabarismos para atravessar a obra inacabada. Tanto a administração do shopping quanto a presidência do jornal são contra a abertura do canal. “Não temos certeza se a obra ficará aberta, mas, se caso for, vamos tomar nossa providências. Isso é inconsistente”, disse o supervisor de Segurança do Tropical Shopping, Eudisvan Costa Mesquita.

 

Segundo ele, o canal permanecendo aberto irá incomodar usuários do shopping e “é um inconveniente”. Eudisvan se refere ao mal cheiro que já exala ao estabelecimento e que, segundo ele, ficará pior caso a obra não inclua o fechamento do canal. O supervisor lembrou ainda dos riscos de acidentes. “Aqui passam muitas pessoas, do shopping, da faculdade, de empresas próximas, é um risco manter esta obras extensa a céu aberto correndo esgoto”, ressaltou. A presidência de O Imparcial informou que também tomará providências quanto à definição da Semosp.

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