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SAÚDE » Santa Casa tem dívidas de R$800 mil e insuficientes recursos do SUS
Instituição filantrópica secular de atendimento à saúde está crise financeira com dívidas de R$ 800 mil e apenas um doador particular. Recursos do SUS são insuficientes.

Annyere Pereira

Publicação: 01/08/2012 09:07

Conveniada com o Sistema único de Saúde, a Santa Casa de Misericórdia está na penúria: médicos e procedimentos têm tabela defasada (K. GEROMY/OIMP/D.A PRESS)
Conveniada com o Sistema único de Saúde, a Santa Casa de Misericórdia está na penúria: médicos e procedimentos têm tabela defasada
A Santa Casa de Misericórdia, assim como todas as outras entidades filantrópicas semelhantes estão passando por um momento muito delicado. A confraria de leigos tem apenas pequena ajuda do governo federal e do Sistema Único de Saúde (SUS) que cobre parte de algumas despesas em se tratando da Santa Casa do Maranhão. A consequência é o aumento das dívidas, agravada com a crescente procura de usuários vindos de todos os lugares do estado.

O Hospital Santa Casa de Misericórdia do Maranhão desde que foi fundado vem passando por diferentes transformações e com algumas melhoras. Segundo o presidente do Conselho Regional do Maranhão (CRM) e administrador do hospital Santa Casa, Abdon Murad, o hospital está muito bom e preparado para atender a população, mas está passando por um momento de grandes dificuldades no que diz respeito às finanças. Caracteriza esse como um malefício que afeta não só São Luís e sim todo o Brasil. Pois, todos os hospitais vivem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), que pagam uma tabela insignificante para os médicos e hospitais.

Nascido sob a inspiração religiosa, a Santa Casa do Maranhão, criada em 1653, mantém aspectos e símbolos católicos em seus pavilhões (K. GEROMY/OIMP/D.A PRESS)
Nascido sob a inspiração religiosa, a Santa Casa do Maranhão, criada em 1653, mantém aspectos e símbolos católicos em seus pavilhões
Para ele isso leva a um prejuízo porque os medicamentos são os mesmos que os hospitais particulares compram, gastam o mesmo dinheiro com medicamentos, funcionários, enfermeiros, técnicos, médicos. “Nós recebemos bem menos do que a rede particular que atende plano de saúde, então a falta de recurso é o problema oriundos de uma tabela que está aí miseravelmente perpetuando há mais de 10 anos. Agora no SUS é intocável e isso é uma realidade triste que vai fechar muita Santa Casa nesse país”, explicou Abdon Murad. Disse ainda que os débitos devem ser pagos para poder continuarem a trabalhar para a sociedade.

O atendimento médio mensal da Santa Casa varia de 1.300 pacientes entre cirurgia geral, obstetrícia, pediatria, ortopedia, clínica médica e as consultas giram em torno de 10 mil por mês. Segundo informações de Abdon Murad a Santa Casa ainda possui mais um grupo de voluntários, “nós vivemos exclusivamente de nós, sem doações do governo estadual, municipal e nem federal e isso é ruim”.

Projetos
Por falar em doações Abdon Murad comentou que a única doação que estão recebendo atualmente é a do Edison Lobão Filho que está refazendo a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pois estava fechada. A UTI vai contar com aparelhos novos, com todos os investimentos possíveis, “vai ficar uma UTI de primeira e nós esperamos poder manter com a ajuda dos órgãos públicos”, adiantou Murad. Cerca de 11 leitos essa UTI irá está composta.

Quem vai à Santa Casa constata, pelo aspecto do pátio interno, as dificuldades que a a instituição enfrenta: recursos minguados e próprios (K. GEROMY/OIMP/D.A PRESS)
Quem vai à Santa Casa constata, pelo aspecto do pátio interno, as dificuldades que a a instituição enfrenta: recursos minguados e próprios
Se comparando a Santa Casa de Misericórdia hoje com a de antigamente o administrador acredita que essa foi a pior crise já passada. “Acredito que sim; desde 1653 a gente não viveu para saber bem de toda aquela história, mas já passamos por uma fase boa em termo de recebimento de dinheiro, tinha uma tabele maior e o SUS pagava mais”.

O hospital está passando por reforma também em dois pavilhões que serão chamados de João Braulino e René Carvalho, ambos foram médicos. “Estamos atravessando uma época difícil, mas estamos também conseguindo melhorar a situação gradativamente. Não é fácil, mas vamos conseguir”, disse Abdon confiante que a situação da Santa Casa local tenha um final feliz.


A Santa Casa do Maranhão não possui mais nem ligação com a Igreja Católica, atualmente só possuem forte ligação com os cursos profissionalizantes São Francisco de Assis, Ana Nery, Enema, e a Faculdade Pitágoras, além dos acadêmicos de medicina da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), onde os alunos atuam na função de estagiários no período da manhã, tarde e a noite.

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