URBANO

PENÍNSULA DE PROBLEMAS » Penísula da Ponta d'Areia, área mais nobre de São Luís, sofre com problemas de infraestrutura
Em maio deste ano o IBGE identificou em uma pesquisa que o metro quadrado para se construir no Maranhão é o 2º mais caro da Região Nordeste, custando em média o equivalente a R$ 826,66, superando estados como Ceará e Rio Grande do Norte, sendo que a média nordestina é de R$ 776,47

Lisiane Martins

Publicação: 06/01/2014 13:49 Atualização: 06/01/2014 23:17

Que tal morar na Península? Para milhares, um sonho. Para centenas, uma realidade. Realidade, porém, nem sempre agradável. Morar no perímetro mais valorizado do Maranhão não é sinônimo de conforto. Ao menos da porta para fora. É que a estrutura atual da badalada Península da Ponta D’Areia mantém-se a mesma de 30 anos atrás.

 (HONÓRIO MOREIRA)

Hoje, os moradores comemoram apenas a coleta de lixo periódica. Mas convivem com ruas esburacadas, iluminação pública precária e rede de esgoto deficiente. Problemas que geram problemas. Se exercitar de noite na avenida principal da Península, por exemplo, tornou-se arriscado. Há registros de assaltos nas proximidades.

“Realmente a infraestrutura do bairro é a mesma de 30 anos atrás. Portanto, quanto mais investimentos privados acontecerem, maior é a urgência do estado em acompanhar o desenvolvimento, ampliando os serviços básicos”, defende o engenheiro civil e gerente de obras da construtora Berg Engenharia, André Vasconcelos.

Hoje, se você quiser adquirir um apartamento na Penísula pagará, em média, R$ 6 mil pelo metro quadrado. Para uma família que deseja morar confortavelmente numa unidade de 150 metros, terá que desembolsar a bagatela de R$ 900 mil.
A vantagem: a localização e vista privilegiadas, além da boa qualidade dos empreendimentos que sobem na região, construídos por gigantes da construção, como Cyrela, Mota Machado e Franere, por exemplo.


Se o investimento do poder público não segue o ritmo do privado, ao menos projetos existem. O mais concreto deles chama-se Espigão Costeiro da Ponta D’Areia. Começou em abril de 2011 e até agora foram aplicados R$ 12 milhões. A linha edificada com pedras corta o mar e promete se tornar um dos principais pontos de lazer da área.

Segundo a Secretária de Estado de Infraestrutura (Sinfra), a segunda fase da execução começou neste mês. É a etapa da urbanização. As obras estão sendo executadas a partir do espigão ao entorno da Península, seguindo até o Memorial Bandeira Tribuzi, que será restaurado.

De acordo com o projeto, disponível no site da secretária, a área ao lado do Espigão vai receber um deque de madeira, palmeiras imperiais para ornamentação, proteção das laterais, bancos ao longo do espigão, quiosques de artesanato maranhense, lanchonetes, locais para coleta de lixo, pontos de observação, além de calçadão e ciclovia.
 
 
Com a urbanização de toda a orla da Península da Ponta D’Areia estimasse que os valores dos imóveis também devam subir, essa é expectativa que André Vasconcelos aposta. “Bairros que começam a receber investimentos e passam a ter suas necessidades de serviços atendidas é bom para os negócios que ficam ainda mais valorizados” pontua.

Prefeitura

A Prefeitura de São Luís também se preparar para executar melhorias na região. Segundo a Secretária Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), estão programados para 2014, mas ainda sem data determinada a execução de serviços de tapa-buracos, pavimentação asfáltica, modernização da iluminação pública e melhoria de drenagem da área. A Semosp informou que a limpeza e coleta de lixo são realizadas regularmente na Península.

AUXILIAR
Preços devem se manter, apostam corretores
Corretores ouvidos por O Imparcial são unânimes: o valor do metro quadrado não deve subir em 2014. A tendência, mesmo com lançamentos, é gerar estagnação. Nos últimos anos, São Luís protagonizou um “boom” imobiliário que elevou o valor do metro quadrado para patamares maiores que Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Agora, o mercado esfriou. A euforia de lançamentos chegou ao fim e o consumidor tende a ser mais cauteloso na hora de fechar o negócio. Por isso mesmo, alguns corretores apostam que este é um bom momento para comprar e vender.

“Essa é uma boa época para comprar e vender por causa dos feirões e promoções que tem uma variedade de opções de preços e empreendimentos disponíveis. Para o ano que vem às expectativas são boas por causa de lançamentos que devem acontecer, mas os preços não devem cair”, diz a corretora, Gardênia Feitosa.

O mercado de acordo com corretores encontra-se estável, com preços reaquecidos após um grande volume de vendas dos anos anteriores, mas com valores estacionados, o que não quer dizer que os preços tenham caído e muito menos o poder de compra das pessoas. “Continuamos vendendo não com a mesma velocidade como anteriormente, mas as pessoas não estão deixando de comprar”, diz o corretor da Ronierd Barros Imobiliária, Fernando Buhatem.

Com o resgate da demanda reprimida, possível após o “boom” imobiliário, o mercado reage e, os efeitos são vistos nas ruas ao parar em um semáforo, por exemplo, logo aparecem pessoas com filipetas de algum empreendimento que está sendo lançados ou prontos para a venda, com parcelas tentadoras. Algumas empresas para não ter imóveis estacionados e difíceis de vender, oferecem brindes, como cozinha completa, carros e viagens para o exterior. Efeito que segundo o economista Pablo Rebouças é normal diante do enfraquecimento da capacidade de compra das pessoas. “Os preços subiram e a renda dos consumidores não cresceu junto e momentos como este são naturais no mercado”, acrescenta.

Especialista em consumo, o economista diz ainda que o levou ao aumento nas vendas de imóveis e conseguintemente de preços, além das ofertas e facilidade de crédito foi a empolgação dos consumidores que diante das oportunidades de compra e ofertas, esqueciam-se dos longos prazos.

“Algumas pessoas e empresas ficaram encantadas com as diversas oportunidades que a instalação da refinaria iria trazer para São Luís tempos atrás e isso também foi um determinante para o aumento de valores e compras precoces e assumir prestações que não tinham antes e há longo prazo” diz o economista, Pablo Rebouças.

São Luís se tornou a menina dos olhos de grandes construtoras por apresentar um mercando amplo e com públicos diferenciados e dispostos a investir, sendo uma das poucas cidades do nordeste com a receber incorporadoras nacionais.
“O ano de 2010 foi bem atípico, São Luís foi uma das poucas cidades em que chegaram todas as grandes incorporadoras, nem mesmo estados como Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Ceara não tiveram tantas implantações das grandes construtoras como aqui” diz dirigente do mercado imobiliário do Sinduscon - MA, Giovanni Bohana.

 (HONÓRIO MOREIRA)

Expectativas de 2014
Para o ano que vem, as imobiliárias estão confiantes com o mercado que não deve apresentar queda. Os lançamentos também devem ser feitos em maior número, já que este ano quase não houve a apresentação de novos empreendimentos no mercado ludovicense, assim a tendência é voltar a crescer, mesmo que lentamente.

“Esperamos que ano que vem que todo o mercado brasileiro cresça pelo menos 2,8% se comparado a esse mesmo período do ano. Os preços dificilmente vão cair e nem passa pela cabeça diminuir o que pode acontecer é se manter já que não foi suprida a demanda de pessoas precisando de imóvel tanto do primeiro imóvel, quanto pra locar para investimento” afirma Fernando Buhatem.



Imóveis até R$ 200 mil
Cohama na Rua do Aririzal
Anil
Araçagi
Turu
Cohab
São Cristóvão,
Maiobão

Imóveis de R$ 300 mil a R$ 700
Cohama
Cohafuma
Renascença
São Francisco

Imóveis a partir de R$ 700
Península
Ponta da Área
Calhau


O Espigão em números
Orçamento Urbanização Espigão
R$ 32 milhões
Previsão de entrega
Março de 2014

Benefícios do Espigão Costeiro ou quebra-mar
- Promover o fim da erosão na área da Ponta d'Areia;
- Recompor a faixa de praia do local;
- Desassorear o canal de navegação;
- Ajudará no processo de renovação da água da Lagoa da Jansen, pois no local era necessária a dragagem de forma mais eficiente;
- Local será transformado em ponto turístico de São Luís;
- Vai contribuir para geração de emprego e renda com a inclusão de quiosques ao longo do Espigão e estimular a venda de artesanatos locais.

Dados do Espigão
Investimento: R$ 12.038.277,56
Comprimento: 560m
Largura (início): 7m de crista
Largura (intermediária): 9,94m
Largura (final): 13,36m
Altura: 8m
Altura acima da preamar máxima: 1,4m
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