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29/09/2006
marciocotrim@correioweb.com.br

Montanha-russa

Esse eletrizante brinquedo que provoca frio na barriga, ansiedade, pavor e deliciosa sensação de alívio quando chega ao fim da linha foi inventado, obviamente pelos russos como esporte de inverno em 1784. Na cidade de São Petersburgo, foi construído um primeiro comboio de carrinhos sobre trilhos para descer as montanhas geladas do país ainda governado pelos czares.
O divertimento virou coqueluche e ganhou adeptos tanto no povão quanto numa exigente aristocracia. Em 1804, os franceses copiaram a idéia. A primeira montanha russa foi instalada em Paris em 1916, com o apropriado nome de montagne russe. Hoje, é brinquedo praticamente obrigatório em todo parque de diversões que se preze: os vagões correm em altíssima velocidade, sobem a alturas estonteantes e depois desabam vertiginosamente, quase em ângulo reto, provocando emoções e sustos inenarráveis.
Para muita gente que já conhece, a mais apavorante montanha russa é a Space Mountain, da Disneyworld, na Flórida. Ela despenca, no escuro, por entre planetas, cometas e estrelas, sob ensurdecedora gritaria de passageiros botando os bofes pela boca.
Há quem condene esse tipo de diversão, que estaria a um passo do masoquismo. Agora, como perguntar não ofende, será que a alegria precisa de tanto sofrimento?

LAR – É a casa onde vivemos, o chamado lar, doce lar. Pouso da família, dos pimpolhos, do aconchego doméstico, do estreitamento dos laços de parentesco. Até de cidadania – a pátria, a terra natal. A origem da palavra se acha no deus Lar, da mitologia romana, protetor das residências. Era costume venerá-lo em casa, numa capela denominada lararium, pequena pira cujo fogo permanecia aceso o tempo todo, daí a palavra lareira. Sede da família, o lar é a célula-mater da sociedade. Preservá-lo tem sido nobre objetivo social e religioso do ser humano, pois sua desagregação nos faria retroceder ao macaco inicial e a urrar no bosque, como dizia Nelson Rodrigues. Lembremos Gente Humilde, bela canção de Garoto, Chico e Vinícius: “São casas simples / com cadeiras na calçada / e na fachada / escrito em cima / que é um lar”. . .

FÊNIX – É pássaro imaginário, de grande esplendor, dotado de impressionante longevidade, que virou mito por renascer das cinzas. A palavra vem do latim phoenix, ave fabulosa. Segundo a lenda, após viver 300 anos ela se atirava às chamas para ser consumida, e de seus restos carbonizados surgia outra, em condições de viver por mais 300 anos. Uma espécie de verme começava a arrastar-se, transformando-se em nova ave, idêntica à que havia morrido. Por sua vocação cíclica, a fênix revela natureza divina, pois simboliza regeneração e imortalidade. Mal comparando, certos homens públicos alijados traumaticamente do poder a ele retornam tempos depois, como que renascidos das cinzas. Getúlio, Perón e tantos outros que o digam...

LASER – Quando, em 1960, os cientistas conseguiram produzir esse raio luminoso de grande intensidade foi-lhe dado o nome de laser, a partir das iniciais da expressão Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, amplificação da luz através da emissão estimulada de radiação. É luz altamente concentrada e com um único comprimento de onda, capaz de viajar em linha reta até a Lua, cortar o aço com precisão e até localizar e eliminar tumores em delicadas operações cirúrgicas. No mundo dos espetáculos, é importante nos concertos de rock. Multidões vão ao delírio quando feixes de luz de diversas cores cruzam o céu animando uma platéia sempre excitada e receptiva a todo tipo de estímulo. Nada a ver com um delicado noturno de Chopin . . .

***
O leitor Samuel Campos, de Careaçu, Sul de Minas, deseja saber a origem da palavra palavra. Ela vem do grego parabole, comparação, derivada para o latim parabola, história que deve ser entendida não no sentido literal, mas indiretamente, relacionando-a ao cotidiano. As parábolas de Jesus a seus seguidores, contadas no Novo Testamento, muitas vezes não tinham seu sentido captado imediatamente, mas, pela reflexão, acabavam revelando ensinamentos edificantes e perenes.
É, também, rígida referência à verdade, a chamada palavra de honra, oferecida como garantia absoluta de honestidade, embora muita CPI a tenha vulgarizado e desmentido entre cínicas expressões e deslavadas mentiras . . .

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