Inflação no Brasil é a 3ª
menor da América Latina
DA FOLHAPRESS
O IPCA encerrou 2006 com uma inflação de 3,14%, praticamente a metade da taxa apurada em 2005, que foi de 5,69%. Trata-se do menor índice oficial de inflação desde 1998, quando a alta havia sido de 1,65%. O resultado fica bem abaixo do centro da meta de inflação para este ano, que era de 4,5%. Essa é a primeira vez que isso acontece desde o início do regime de metas.
Com o resultado, o Brasil passa a ocupar o terceiro lugar entre os países da América Latina com menor índice de preços, atrás apenas do Peru (2,4%) e do Panamá (2,8%). No ano anterior, o Brasil estava bem atrás, na 11ª posição entre os 19 países latino-americanos do ranking.
O levantamento foi elaborado pelo economista-chefe da consultoria Austin Ratings, Alex Agostini, e leva em consideração os índices de preço projetados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em setembro - último relatório disponível.
Entre as economias emergentes, o Brasil ocupa em 2006 a 11ª posição, na frente do Equador (3,2%) e Chile (3,5%), por exemplo. Nessa comparação, a Argentina aparece em 33° lugar (9,8%). A Polônia tem a mais baixa inflação entre os emergentes, 0,9%, e é seguida pela Arábia Saudita, com 1%, e por alguns países asiáticos.
Entre os Brics — grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China —, o Brasil aparece em segundo lugar, com o dobro da inflação da China (1,5%). A Índia fica em terceiro, com inflação de 5,6%, e a Rússia, com 9,7%.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o real valorizado, a boa oferta de produtos agrícolas e os menores aumentos de tarifas públicas sustentaram a redução da inflação ao longo do ano passado.
Os alimentos tiveram alta de 1,22%. Os artigos de residência, que abrangem mobiliário e artigos domésticos, registraram variação negativa de 2,72%. A energia elétrica teve resultado muito próximo da estabilidade no ano (0,28%) e as tarifas de telefonia fixa caíram 0,83%. O reajuste dos combustíveis, de 2,30%, também ficou abaixo do índice geral.
Outros itens que não pressionaram os preços devido a influências da queda do dólar foram higiene pessoal (0,65%), aparelhos de TV, som e informática (-12,07%) e artigos de limpeza (-2,29%).
DEZEMBRO
Em dezembro, a inflação medida pelo índice foi de 0,48%, acima do índice de novembro, que havia sido de 0,31%, e em linha com as previsões de mercado, que apontavam alta de 0,45%.
A principal pressão sobre os preços veio do reajuste dos transportes na região metropolitana de São Paulo. Os aumentos de trem, ônibus, táxi e metrô provocaram um aumento de 2,91% no grupo transportes em São Paulo, gerando uma contribuição de 0,24 ponto percentual na inflação geral.
Por outro lado, a alta dos alimentos foi bem menor que em novembro. O grupo subiu 0,39%, contra 0,50% no mês anterior.
Grãos: previsão de safra recorde
LUCIANO PIRES
DO CORREIO BRAZILIENSE
BRASÍLIA — O setor de grãos tem tudo para comemorar uma das melhores safras dos últimos tempos. Com o clima a favor e o aumento da produtividade por hectare nas fazendas, a colheita do ano agrícola 2006/2007 será de 121,5 milhões de toneladas, incluindo algodão, conforme divulgou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O saldo é 1,3% maior do que o registrado na safra 2005/2006 (119,9 milhões de toneladas) e também o mais robusto desde 2002/2003, quando foram colhidas 123,1 milhões de toneladas.
A área total cultivada nesta safra é de 45,4 milhões de hectares. Na passada foram 47,3 milhões de hectares. A redução se deve ao fato de que, desta vez, o produtor decidiu plantar em terras efetivamente férteis, descartando campos irregulares ou que necessitavam de grandes aplicações de defensivos. A medida ajudou a reduzir custos durante o plantio.
A soja, locomotiva do setor, terá uma safra de 54,8 milhões de toneladas — alta de 2,7% comparada às 53,4 milhões de toneladas, face ao período anterior. Em Mato Grosso e no Paraná, dois dos maiores celeiros do país, os produtores estão animados e confiam em uma maior lucratividade. A aposta reflete a confiança do agroempresário na recuperação dos preços internacionais, que nos últimos dois anos caíram vertiginosamente. Para o consumidor isso pode ser ruim. Em períodos de valorização da soja derivados como óleo e leite tendem a subir no varejo.
O milho também atravessa um bom momento. De olho no mercado americano, que processa cada vez mais grãos para fabricar etanol, o produtor vai produzir mais, apesar de ter reduzido a área plantada. A produção total durante o ano é calculada em 44,7 milhões de toneladas, ou 7,2% a mais do que na safra 2005/2006.
No início da semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou que a safra de grãos será de 123,9 milhões de toneladas (6% superior ao ano passado). A diferença em relação ao volume divulgado pela Conab se deve ao fato de que o IBGE acredita em uma colheita muito boa de trigo. Em 2006, o Brasil teve de importar quase tudo o que consumiu devido a problemas climáticos no Sul, maior produtor. Os métodos de apuração utilizados pelos dois órgãos oficiais são semelhantes.
Apreensões de discos piratas
aumentam 57% em 2006
As apreensões de produtos fonográficos falsificados no mercado brasileiro aumentaram 57% no ano passado em relação a 2005, resultado de uma maior repressão ao comércio ilegal e pirata em todo o país.
Segundo informações da APDIF (Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos), em 2006 foram apreendidos 47,4 milhões de CDs, DVDs e drives de gravação.
Nas 1.890 ações de combate à pirataria realizadas em todo o país durante 2006, entre operações de rua e estouro de depósitos e laboratórios, foram apreendidos 29,9 milhões de CDs, 17,4 milhões de DVDs e 43,9 mil drives de gravação. Além disso, ao menos 100 pessoas foram condenadas.
O maior volume de apreensões aconteceu no Estado do Paraná, com mais de 23 milhões de unidades recolhidas durante todo o ano. Santa Catarina vem em segundo lugar, com cerca de 11 milhões de CDs e DVDs falsificados retirados de circulação. Em terceiro, encontra-se São Paulo, onde as autoridades policiais recolheram mais de 7 milhões de unidades de material fonográfico ilegal. Mato Grosso e Rio de Janeiro aparecem em quarto e quinto lugar, com 1,5 milhão e 1,4 milhão de unidades apreendidas, respectivamente.
BB vai facilitar
pagamento de contas
O Banco do Brasil (BB) fechou acordo com a Visanet para lançar até junho um sistema que possibilita o uso do celular como meio de pagamento, em substituição aos cartões de crédito e débito. Os testes da nova tecnologia, desenvolvida pela equipe do BB, começarão em março. O sistema, conhecido como mobile payment (pagamento móvel), permite ao cliente efetuar uma compra autorizando, por meio de senhas, a operação pelo celular. De acordo com Raul Moreira, gerente-executivo de Banco Eletrônico do BB, o novo sistema poderá elevar o número de clientes do banco que usam o celular em transações financeiras dos atuais de 310 mil para 1 milhão até o fim do ano.
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