Radiografias mostram objetos na coluna cervical, na altura do pescoço e na região abdominal.Os artefatos metálicos teriam sido colocados pelo ex-companheiro dela, que hoje responde a um processo na Justiça pelas supostas agressões.
A vítima conheceu o suspeito há cerca de quatro anos, na cidade catarinense de Meleiro. Após um período de namoro, eles foram morar juntos. Ela diz ter começado a notar comportamentos estranhos do então companheiro, que se dizia praticante de magia negra. Entretanto, ela nunca desconfiou que pudesse se tornar uma vítima.
A descoberta de que tinha agulhas no corpo veio por acaso, no início de 2007, depois de dois anos de convivência com o suspeito. Na época, a mulher foi submetida a exames pré-operatórios para uma cirurgia na coluna, realizada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal. Ao fazer uma radiografia, os médicos constataram o problema.
Após a operação, ela voltou para Meleiro. Segundo a vítima, ao ser perguntado se teria colocado os objetos dentro dela, o ex-companheiro teria confessado.
- Ele disse que queria me ver aleijada, em uma cadeira de rodas, para ficar dependente dele. As agulhas fariam parte de um ritual de magia negra. Ele contou que me dopava com "Boa Noite Cinderela" (uma espécie de droga), que colocava no suco que eu tomava à noite - conta ela.
O casal ainda conviveu por um tempo. O homem, no entanto, teria ficado agressivo e começado a bater na vítima constantemente, com socos e tapas. A mulher procurou a Polícia Civil de Meleiro e registrou ocorrências contra o companheiro.
Na metade daquele ano, a mulher deixou a casa onde vivia. Com a ajuda da mãe e de uma irmã, ela foi para a casa de uma amiga em Araranguá, também no Sul de Santa Catarina. No começo de 2008, voltou para a casa da família, em Santa Maria.
A mulher convive com o problema há mais de dois anos. No último domingo, dores fortes no abdômen a fizeram procurar o Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Ela passou a noite no hospital e foi liberada na segunda-feira pela manhã.
Ela teme que as agulhas se movam e atinjam algum órgão vital.
- Sinto dor 24 horas por dia. Não consigo respirar nem dormir e estou à base de morfina. Eu quero fazer a cirurgia e tirar essas agulhas - afirma ela.
Segundo o diretor-clínico do hospital, Sérgio Nunes Pereira, os exames mostram que não há necessidade de cirurgia. A operação seria eletiva (não-urgente). Pereira diz que os objetos aparentemente não têm relação com a dor sentida pela mulher:
- As radiografias mostram que as agulhas estão logo abaixo da pele, entre o músculo. O procedimento de remoção seria simples. Mas o médico que for fazer a cirurgia tem de avaliar a posição de cada uma das agulhas.
O acusado, as orientado por seu advogado, não quis falar sobre o caso. Em liberdade, ele vive atualmente na zona rural de Meleiro, onde tem uma nova companheira.
O processo corre na Justiça catarinense, mas ainda não foi encaminhado para julgamento.